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Trump sugere que muro pode ser pago com fundos destinados a imigrantes

13/03/2018 16h04

Washington, 13 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, citou nesta terça-feira um estudo de um centro de pensamento ultraconservador que afirma que o muro que planeja construir na fronteira com o México pode ser pago "por si só", por meio da redução das taxas de criminalidade e dos níveis de imigração.

Trump se referiu a esse estudo em um comentário pelo Twitter enquanto viajava pela primeira vez à fronteira com o México, uma visita destinada justamente a avaliar os protótipos do seu polêmico muro.

"De acordo com o Centro de Estudos de Imigração, os US$ 18 bilhões para o muro serão pagos por si mesmos mediante a redução da importação de crime, drogas e imigrantes ilegais que costumam aproveitar-se dos subsídios de desemprego", escreveu Trump.

O presidente americano citou um artigo da emissora conservadora "Fox", que por sua vez falava de um estudo elaborado pelo Centro de Estudos de Imigração, um centro de pensamento ultraconservador que está a favor de reduzir os níveis de imigração aos Estados Unidos.

Nesse estudo, publicado em fevereiro, o centro de pensamento afirma que nem o México nem os contribuintes americanos terão que arcar com o pagamento do muro.

Trump assegura que "o custo" da imigração ilegal excede amplamente o da construção do muro, já que os imigrantes que chegam aos EUA têm "níveis modestos de educação" e, portanto, dependem em grande medida dos subsídios do governo para sobreviver, segundo o estudo.

Dessa forma, o centro afirma que a construção do muro se financiaria com o dinheiro que o Estado economizará em imigrantes e em recursos para combater o crime.

Um dos principais pontos que confrontou Trump com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, foi o financiamento do muro, já que o presidente americano insistiu em várias ocasiões que será o país vizinho quem pagará pela barreira, algo que Peña Nieto sempre nega.

De fato, a insistência de Trump sobre o pagamento do muro já frustrou duas tentativas de reunião com seu homólogo mexicano.

Além do clima de tensão bilateral, Trump enfrenta hoje a rejeição do estado da Califórnia, estado no qual perdeu por mais de quatro milhões de votos nas eleições de 2016 e que tem se tornado um dos principais contrapesos às políticas do presidente, especialmente em matéria migratória.

Desde que chegou ao poder, Trump empreendeu uma cruzada contra os chamados "santuários", cerca de 200 cidades e condados dos EUA que não destinam recursos a perseguir imigrantes e se negam a informar às autoridades federais do status migratório das pessoas detidas.

Importantes cidades "santuários", como San Francisco, se encontram na Califórnia e, além disso, o próprio estado se transformou no último dia 1º de janeiro em um "estado santuário" para os imigrantes.

"Os santuários da Califórnia são ilegais e inconstitucionais e põem em perigo a segurança de toda nossa nação. Milhares de estrangeiros perigosos e violentos são libertados como resultado da política de santuário, são libertados para atacar estudantes inocentes. ISTO DEVE PARAR!", escreveu Trump hoje no Twitter enquanto viajava para a Califórnia.

Esta é a primeira visita de Trump à Califórnia desde que chegou ao poder há mais de um ano.