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Ex-militar servo-bósnio recorre de prisão perpétua por genocídio

22/03/2018 17h02

Haia, 22 mar (EFE).- O ex-chefe militar sérvo-bósnio Ratko Mladic apelou nesta quinta-feira da pena de prisão perpétua por genocídio e crimes de guerra à qual foi sentenciado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPII) em novembro do ano passado, informou à Agência Efe o advogado Dragan Ivetic.

A equipe de defesa considera "equivocadas" todas as acusações e pede a absolvição do cliente das dez acusações: uma pelo genocídio em Srebrenica - onde pelo menos 8 mil muçulmanos foram mortos - e outras nove por crimes de guerra e de contra a humanidade cometidos entre 1992 e 1995, durante a disputa da Bósnia. Os juízes consideraram provado que Mladic era o comandante servo-bósnio quando as suas tropas cometeram tais ações.

Na apelação, os advogados alegam que os juízes cometeram "erros básicos" que não têm "precedentes" e pediram a libertação do preso, cuja vida, alertam, "corre risco" devido a um suposto mal estado de saúde.

Ivetic explicou que o tribunal recebeu "um arquivo muito detalhado" hoje no qual desmentem "muito bem cada um dos erros" que consideram a Justiça Internacional cometeu. A promotoria da corte também recorreu hoje a absolvição de Mladic de uma acusação de genocídio em vários municípios, confirmou Ivetic.

O advogado criticou o fato de o TPII estar "demorando muito para responder demandas urgentes" nas quais os advogados denunciam "negligências médicas" e "falta de tratamento específico" para as "doenças" de Mladic.

"Ninguém fez o diagnostico corretamente e, por isso, ninguém está fazendo o atendimento adequado. A sua situação mental atual nem sequer lhe permite participar do restante do processo", afirmou.

Em fevereiro, os advogados pediram a mudança de Mladic, de 75 anos, para a Sérvia por "razões humanitárias" porque ele poderia ter "um ataque cardíaco ou até morrer" no centro de detenção das Nações Unidas, em Scheveningen, a poucos quilômetros da sede do TPII, em Haia.