Aplicativos e dados na internet viram arma de guerra política na Índia

Moncho Torres.

Nova Délhi, 1 abr (EFE).- Aplicativos para celulares e dados na internet se transformaram em armas de uma guerra política na Índia, onde os principais partidos trocam acusações sobre quem contratou primeiro a empresa de consultoria britânica Cambridge Analytica, envolvida de utilizar sem autorização informações vazadas do Facebook para influenciar campanhas políticas em vários países.

Membros do Partido do Povo Indiano (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi, e opositores do Partido do Congresso discutem quem contratou primeiro a Cambridge Analytica e se criticam pelo vazamento de dados dos eleitores obtidos via aplicativos.

O escândalo teve início na sexta-feira, quando um hacker revelou no Twitter que os aplicativos do BJP e do Partido do Congresso enviavam informações dos usuários para consultorias políticas com sede nos Estados Unidos e em Cingapura.

O hacker, identificado como Elliot Anderson, nome do protagonista da série americana "Mr. Robot", revelou que o aplicativo do BJP compartilhava, sem consentimento, dados com uma empresa externa.

A revelação gerou reações imediatas. A polêmica forçou o presidente da Comissão Eleitoral, O.P. Rawat, a anunciar que o departamento especializado em redes sociais do órgão abrirá uma investigação sobre o uso fraudulento de dados nos aplicativos.

"Tomaremos todas as medidas legais e administrativas necessárias", disse o presidente da Comissão Eleitoral.

No entanto, Rawat deixou claro que isso não impedirá o uso de tecnologia moderna nas eleições do país.

O aplicativo de Modi pede aos novos usuários uma série de dados, como profissão, telefone, título de eleitor e endereço. Em troca, a pessoa recebe informações sobre as últimas medidas tomadas pelo governo e as conquistas do governo do primeiro-ministro.

O presidente do Partido do Congresso, Rahul Gandhi, criticou Modi pelo Twitter, afirmando que o primeiro-ministro se comporta com um "Big Brother", querendo espionar os indianos.

A resposta do BJP veio através da ministra de Informação, Smriti Zubin Irani, que citou ironicamente um personagem de um famoso desenho animado indiano para afirmar que Modi não espia ninguém porque as pessoas sabem que estão dando acesso aos dados.

O Partido do Congresso, no entanto, foi acusado de fazer o mesmo que o adversário político, repassando dados de indianos para uma consultoria em Cingapura. Como resposta, a legenda se limitou a dizer que seu aplicativo estava inativo a cinco meses e que servia, sobretudo, para organizar em um único lugar as últimas postagens dos candidatos opositores nas redes sociais.

O aplicativo ainda pode ser baixado na App Store, do iOS, sistema operacional da Apple, mas é bloqueado logo ao abrir. São exibidos apenas nomes dos candidatos e um manifesto do partido.

A legislação indiana sobre proteção de dados ainda é pouco desenvolvida. Um dos poucos artigos que fala sobre o assunto cita a proteção de "dados sensíveis" de usuários na internet. Quem acessar ou divulgar esse tipo de informação pode ser condenado até três anos de prisão e multa de 500 mil rupias (cerca de R$ 25 mil).

Antes dessa última crise, a Índia debatia um ataque à plataforma digital Aadhaar, que reúne dados biométricos de mais de 1 bilhão de pessoas no país, facilitando o acesso a subsídios do governo ou trâmites burocráticos, como a abertura de contas bancárias.

Segundo a imprensa local, era possível adquirir informações pessoais de indianos, como nome, número de telefone e e-mail, pelo WhatsApp por apenas 500 rupias (cerca de R$ 25).

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