Israel cancela plano de deportação em massa de imigrantes africanos

Jerusalém, 2 abr (EFE).- O Governo israelense anunciou nesta segunda-feira que alcançou um acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) que implica no cancelamento do controverso plano iniciado no começo deste ano para deportar milhares de imigrantes africanos.

Segundo o acordo, o Acnur transferirá a países ocidentais 16.250 imigrantes africanos e o Governo israelense formalizará o status do resto, outros 16 mil, que permanecerão em território israelense, informou em um comunicado o Escritório do Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

O acordo permitirá "a saída de um maior número de imigrantes de Israel sob patrocínio da ONU", aponta o comunicado.

O pacto foi aprovado pela Procuradoria-Geral israelense e cumpre com os regulamentos estabelecidos pelo direito internacional.

O Governo israelense anunciou também um plano de reabilitação para o sul de Tel Aviv, onde está concentrada a maioria de imigrantes, e se comprometeu a fazer "uma distribuição geográfica mais equilibrada das populações que permanecerão em Israel, com orientação trabalhista, formação profissional, adaptação de postos de trabalho, etc".

Segundo o comunicado, tanto o premiê como o Ministério do Interior trabalharam para manter o plano anterior, que supunha a expulsão dos africanos a terceiros países, mas devido a limitações legais e dificuldades políticas, "foi necessário chegar a um entendimento novo e melhorado que assegure a partida contínua de milhares de imigrantes de Israel".

O plano de deportação afetava 32 mil imigrantes africanos, na maioria procedentes da Eritréia e do Sudão e foi vetado em meados de março pelo Supremo Tribunal de Israel, que ordenou o impedimento da expulsão de qualquer pessoa que não quisesse ir embora de maneira voluntária a um terceiro país africano.

O programa de expulsões, aprovado em janeiro, contemplava que milhares de imigrantes, em alguns casos solicitantes de asilo, fossem presos de maneira indefinida se não aceitassem ir embora a um terceiro país com incentivos que incluíam pagamentos em dinheiro e uma passagem de avião, ainda que dos 38 mil que há eximia cerca de 6.000 meninos e progenitores com menores a cargo.

A ONG Hotline para Refugiados e Migrantes assegura que Israel tinha assinado acordos com Ruanda e Uganda para que aceitassem os expulsados, algo que as autoridades destes países sempre negaram.

jma/ff

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos