Malala encerra primeira visita ao Paquistão desde ataque

Jaime León

Islamabad, 2 abr (EFE).- Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai encerrou nesta segunda-feira uma visita ao Paquistão cheia de sigilo, segurança e poucas interações públicas, em sua primeira viagem ao país desde que em 2012 foi baleada na cabeça pelo talibãs por defender a educação das meninas.

A jovem de 20 anos deixou Islamabad nesta manhã com a mesma discrição e segurança com a qual chegou na quinta-feira de madrugada, sem que sua visita fosse anunciada e sua agenda publicada para evitar ataques.

A saída do país esteve rodeada pelo silêncio do Governo e instituições paquistaneses, que não fizeram comentários e nem avaliações sobre a visita.

Televisões locais mostraram uma sorridente Malala descendo de um veículo acompanhada de sua mãe e um irmão para entrar no aeroporto, escoltados por um comboio de segurança.

Essa segurança foi uma constante em seus quatro dias de visita, organizada pelo Governo, que fiou responsável pelo protocolo, atos e escassas interações com a imprensa.

Um dos responsáveis do protocolo, que preferiu manter o anonimato, explicou durante a visita que não podia informar sobre as atividades por "motivos de segurança".

Os participantes dos atos de Malala receberam convites apenas horas antes dos eventos e inclusive com menos tempo.

Assim ocorreu em um ato na quinta-feira no escritório do primeiro-ministro, Shahid Khaqan Abbasi, no qual os diplomatas que compareceram receberam um convite na última hora do dia.

Nesse evento, Abbasi lembrou que Malala deixou o país quando só era uma menina e voltou como "a paquistanesa mais famosa", sublinhando que o Paquistão é sua pátria e podia vir quando quisesse.

Na sexta-feira, Malala manteve um encontro com um grupo de mulheres ativistas, às quais pediu que comparecessem ao ato sem dizer com quem se reuniam.

"Não sabíamos com quem íamos nos reunir até horas antes. Tudo o que tinham nos dito é que nos apresentássemos", escreveu Sarah Bilal, da ONG Projeto pela Justiça do Paquistão, que trabalha com réus condenados à morte, no jornal "Dawn".

No sábado, a jovem viajou de helicóptero à sua cidade natal de Mingora, no norte do Paquistão, onde visitou sua casa e se reuniu com estudantes de um instituto militar, acompanhada de sua família e da ministra de Informação, Marriyum Aurangzeb.

A breve visita, de poucas horas, esteve rodeada de fortes medidas de segurança, com policiais e militares desdobrados pela zona.

O vale de Swat, onde fica localizada Mingora, esteve sob controle talibã entre 2007 e 2009, quando o Exército lançou uma operação militar, embora sigam ocorrendo ataques na zona.

No domingo, não houve informações sobre os atos de quem em 2014, aos 17 anos, foi a pessoa mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz, compartilhado com o indiano Kailash Satyarthi.

A visita da jovem recebeu uma grande atenção midiática, com manchetes dedicadas a ela e muitas mensagens nas redes sociais, mas a agenda do país mudou pouco durante estes dias.

Em um comício da governante Liga Muçulmana do Paquistão, o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif mencionou a Malala para destacar os progressos feitos pelo seu Governo.

"A prova de ter trazido a paz a Swat é que a nossa filha Malala voltou", disse.

A presença de Malala também recebeu duras críticas e foi contestada com protestos, como o organizado pela principal associação de escolas privadas do país na sexta-feira sob o lema "Eu não sou Malala" e mensagens depreciativas nas redes sociais.

O jornal "Shumal" do vale de Swat deu as boas-vindas em sua manchete afirmando que "uma agente do lobby judeu chegava ao Paquistão com uma nova agenda".

Em sua única entrevista a um meio de comunicação paquistanês durante sua visita, concedida à televisão "Geo", a jovem afirmou que quando terminar de estudar na Universidade de Oxford planeja retornar ao Paquistão.

Os talibãs que a atacaram em 2012 não se pronunciaram sobre suas intenções de retornar.

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