Netanyahu suspende acordo com a Acnur para não deportar refugiados africanos

Jerusalém, 2 abr (EFE).- O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciou nesta segunda-feira com a suspensão do acordo com a Agência da ONU para so Refugiados (Acnur), firmado para conter a deportação de milhares de imigrantes africanos.

O pacto tinha sido apresentado pelo próprio Netanyahu horas antes, mas o primeiro-ministro voltou atrás da decisão após a pressão de grupos de direita em Israel.

"Amanhã de manhã me reunirei com o ministro de Interior, Aryeh Deri, e com representantes dos moradores do sul de Tel Aviv, onde estão milhares de imigrantes. Enquanto isso, suspendo a implementação do acordo. Depois do encontro, reavaliarei", afirmou Netanyahu em uma postagem publicada no Facebook.

A mudança de postura ocorreu sete horas depois do anúncio sobre o acordo com a Acnur em entrevista coletiva. O pacto previa que 16.250 imigrantes seriam enviados para países do Ocidente. Em troca, Israel receberia outros 16.000 refugiados de outros lugares.

"Nos últimos dois anos, tratei com Ruanda para que eles fossem um terceiro país a receberem os imigrantes, a única forma legal que temos para retirá-los sem consentimento, depois que outros planos fossem reprovados. Ruanda concordou com isso e começamos com o plano de deportação", explicou o primeiro-ministro na rede social.

No entanto, nas últimas semanas, o governo de Ruanda recuou após receber pressões de várias partes, entre elas da Europa.

"Nessa situação, decidi conseguir um novo acordo, mas mudei de opinião porque ouço as pessoas, especialmente as que vivem no sul de Tel Aviv", escreveu Netanyahu na mensagem divulgada no Facebook.

Os moradores dessa região da cidade protestam contra a presença de milhares de imigrantes há anos.

Em janeiro, Israel anunciou o plano de deportação em massa que expulsaria 32.000 dos 38.000 imigrantes africanos que vivem no país, a maioria deles eritreus e sudaneses. As ordens de deportação começaram a ser entregues pelo governo em fevereiro.

O plano foi fortemente criticado por parte da população, que realizou vários protestos contra a medida. Pilotos de companhias aéreas, por exemplo, se negaram a conduzir aviões com os deportados. Sobreviventes do Holocausto, rabinos, acadêmicos, escritores e médicos escreveram cartas se solidarizando com os refugiados.

O anúncio do compromisso com a Acnur desta tarde incluía a promessa de um plano de reabilitação para o sul de Tel Aviv e de uma distribuição geográfica mais equilibrada dos refugiados que permaneceriam em Israel.

No entanto, o pacto foi bastante criticado por vários partidos de direita no país, entre eles o Likud, do próprio Netanyahu.

"Dar status a 16 mil refugiados em Israel tornará o país em um paraíso para eles e constitui uma rendição", disse o ministro de Educação e aliado principal da coligação de governo, Naftali Benet.

"O acordo com a Acnur envia uma mensagem perigosa para o mundo: entre com sucesso em Israel, ganhe como prêmio a residência aqui ou em outro país ocidental", completou o ministro.

Após a suspensão do acordo, Benet parabenizou Netanyahu e pediu que o primeiro-ministro cancele o pacto em definitivo.

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