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Prefeitos da Flórida se aliam para desafiar lei estatal de controle de armas

02/04/2018 14h52

Miami, 2 abr (EFE).- Prefeitos de uma dezena de cidades do sul da Flórida, entre elas Coral Gables e Weston, que fazem fronteira com Miami, se uniram em um processo para mudar as regulamentações sobre armas, uma competência exclusiva das autoridades estatais, informou nesta segunda-feira a imprensa local.

Na Flórida, as autoridades estatais são as únicas autorizadas a emitir regulamentações sobre o uso de armas e qualquer funcionário ou governo local que ignore esta norma, ainda com um simples cartaz que proíba o porte de armas em um parque público, está sujeito à destituição do cargo, fortes sanções, entre outras.

A demanda, liderada pelo prefeito de Weston, Daniel Stermer, procura evitar as multas que acompanham a legislação de controle de armas que rege para todo o estado.

Stermer está convencido de que em um estado tão populoso como a Flórida, com grandes cidades e populações rurais, os governos locais deveriam ter voz na regulamentações das armas, segundo o portal de internet "NPR".

O canal "NBC 6" indicou que Miramar, Pompano, Lauderhill, Miami Gardens, South Miami, Pinecrest, Cutler Bay, Miami Beach e Coral Gables se somaram ao desafio.

O prefeito de Coral Gables, Raúl Valdes-Fauli, que, após o massacre de Parkland em 14 de fevereiro levantou sua voz a favor de uma lei que proíba a venda de fuzis semiautomáticos com carregadores de alta velocidade, é um dos que apoiou o processo.

De fato, Valdes-Fauli se mostrou em algum momento disposto a encaixar qualquer tipo de multa que lhe impusesse o estado por tentar introduzir normas fora da sua competência.

"O nosso Congresso (estatal) é covarde. Se vendem à Associação Nacional do Rifle (NRA)", expressou Valdes-Fauli.

"São necessárias cidades, indivíduos ou comunidades como a nossa para fazer algo", acrescentou.

Com estas palavras, o prefeito de Coral Gables se referiu à lei de controle de armas aprovada neste mês pelo governador da Flórida, Rick Scott, e antes pelo Congresso do estado, uma lei que não inclui a proibição de venda de fuzis de assalto reivindicada por vários alunos e pais das vítimas.

Tal lei foi consequência do movimento surgido para pedir um endurecimento das medidas para o controle de armas a partir do massacre de 17 pessoas perpetrado por Nikolas Cruz, de 19 anos, em um colégio de Parkland, a 73 quilômetros ao norte de Miami, com um fuzil de assalto em 14 de fevereiro.