Turquia acusa acadêmicos exilados de assassinado de embaixador russo em 2016

Istambul, 2 abr (EFE).- Um tribunal turco emitiu nesta segunda-feira uma ordem de detenção contra oito pessoas acusadas de envolvimento no assassinato do embaixador russo Andrei Karlov em 2016, entre eles o clérigo exilado Fethullah Gülen e vários acadêmicos suspeitos de fazer parte de sua confraria.

Os juízes ratificaram o pedido da Promotoria de formalizar a ordem de detenção contra o clérigo, a quem Ancara acusa de ter instigado também o fracassado golpe de Estado de 2016, e várias pessoas que estão há tempos em busca e captura por serem, supostamente, altos cargos da rede gülenista.

Entre eles está o médico Serif Ali Tekalan, de 2010 a 2016 reitor da Universidade de Fatih em Istambul, detido por seus vínculos gülenistas após o levante, e que foi nomeado em 2017 reitor da North American University, uma universidade privada em Houston (Texas), cujo conselho de administração é composto por acadêmicos turcos.

Outro é o jornalista e ex-policial Emre Uslu, membro do Washington Institute e professor na Virgínia International University, uma instituição privada americana fundada e dirigida pelo professor turco Isa Saraç, que também faria parte da órbita gülenista.

Figuram, além disso, vários suspeitos aos quais a polícia procura há muito tempo pelo suposto papel-chave como coordenadores da confraria do clérigo na Turquia.

Karlov foi assassinado com um disparo em novembro de 2016, quando inaugurava uma exposição de fotografias sobre a Rússia em Ancara, e o assassino, o jovem policial Mevlüt Mert Altintas, morreu horas depois em um tiroteio com forças de segurança turcas.

Após dúvidas iniciais, a Promotoria atribuiu o crime à confraria gülenista, e em dezembro foi detido o próprio organizador da exposição, Mustafa Timur Özkan.

A polícia descobriu uma rede de e-mails entre Özkan e Serif Ali Tekalan que implica um vínculo do organizador com a rede de Gülen, afirma a agência "Anadolu".

A emissão destas ordens de detenção contra os suspeitos do assassinato do embaixador russo acontece um dia antes da visita oficial do chefe do Kremlin, Vladimir Putin, que se reunirá amanhã em Ancara com seu colega turco, Recep Tayyip Erdogan, com o objetivo declarado de reforçar ainda mais a já estreita cooperação bilateral entre a Rússia e a Turquia.

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