Autoridades eliminam eleições diretas em cidade russa dirigida por opositor

Moscou, 3 abr (EFE).- As autoridades de Ecaterimburgo, única grande cidade russa com prefeito opositor, eliminaram nesta terça-feira as eleições diretas à Câmara Municipal, o que provocou protestos na capital dos Urais.

Apesar de milhares de pessoas terem se manifestado ontem no centro da cidade para denunciar a iniciativa do governador, Yevgueni Kuivashev, o Parlamento regional aprovou hoje o polêmico projeto de lei por 42 votos a favor e apenas quatro contra.

Os dirigentes regionais, membros do partido do Kremlin, Rússia Unida, comemoraram a decisão, enquanto o prefeito, Yevgueni Roizman, a considerou um ato de "cinismo".

"Um poder eleito e um designado não são a mesma coisa. O que é eleito responde aos seus eleitores, o designado responde àqueles que o designaram", disse Roizman, que se mostrou solidário com os manifestantes.

O prefeito advertiu que aprovar tal lei "seria interpretado como uma forma de pôr em dúvida a inteligência dos habitantes de Ecaterimburgo, como um gesto de desconfiança e um insulto a eles".

Desde 2010, o prefeito da cidade cumpre funções político-representativas, enquanto um gerente administrativo se encarrega de garantir o funcionamento de todos os serviços municipais.

A partir de agora, o prefeito de Ecaterimburgo será eleito não pelos cidadãos, mas pelo Parlamento regional, entre um grupo de candidatos que serão indicados em um concurso por uma comissão especial integrada por deputados e funcionários do governo.

Roizman, que chegou ao poder em 2013 ao derrotar nas eleições o candidato do Kremlin, já adiantou que não tentará a reeleição em setembro de 2018, embora hoje tenha afirmado que "não se renderá".

"Eu posso reconhecer o poder dos eleitores, mas não quero reconhecer o poder de qualquer outro sobre mim. Em todo caso, não nos renderemos, já que isso afetou a todos. E seja como for, a cidade lutará pelos seus direitos", afirmou.

O atual prefeito de Ecaterimburgo tentou se lançar há alguns meses como candidato a governador da região, mas as autoridades se negaram a registrar a sua candidatura.

A defensora pública Tatiana Merzliakova se colocou ao lado do prefeito e pediu a revogação da lei, enquanto o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Presidência não irá interferir em algo que "é prerrogativa da Assembleia Parlamentar local".

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