Topo

Chancelaria panamenha analisa pedido de extradição dos filhos de Martinelli

03/04/2018 17h23

Cidade do Panamá, 3 abr (EFE).-A chancelaria do Panamá informou nesta terça-feira que está analisando o pedido de extradição realizado pela procuradoria do país contra dois filhos do ex-presidente Ricardo Martinelli (2009-2014), acusados de terem recebido subornos milionários da Odebrecht.

"A chancelaria recebeu do Ministério Público a solicitação de extradição. Nós nos encontramos neste momento na avaliação interna para garantir que cumpre as formalidades que esses marcos legais estabelecem", disse aos jornalistas a vice-presidente e chanceler panamenha, Isabel De Saint Malo, sem informar a que país será feito o pedido.

Fontes da chancelaria disseram à Agência Efe que o pedido de extradição foi recebido em dezembro e que Luis Enrique e Ricardo Alberto Martinelli estão, aparentemente, nos Estados Unidos.

Em janeiro do ano passado a procuradoria panamenha indiciou os irmãos Martinelli por lavagem de dinheiro e, um mês mais tarde, solicitou à Interpol um pedido de busca e captura internacional.

O Ministério Público lhes embargou um helicóptero, um apartamento de luxo em Madri e pelo menos US$ 22 milhões em uma conta na Suíça.

A Justiça panamenha validou em dezembro do ano passado o acordo alcançado entre a procuradoria e a Odebrecht, que inclui o pagamento de uma multa de US$ 220 milhões e o arquivamento do caso no Panamá contra a construtora brasileira e seus antigos diretores no país por terem colaborado nas investigações.

Durante a audiência de validação do acordo, o Ministério Público revelou que André Rabello, que dirigiu durante vários anos as operações da Odebrecht no Panamá, confessou ter pagado mais de US$ 80 milhões a funcionários e particulares panamenhos, dos quais US$ 55,8 milhões recaíram nos irmãos Martinellli.

Pelo caso dos subornos da Odebrecht, há mais de 60 pessoas indiciadas no Panamá, entre elas vários ex-ministros de Martinelli, que está detido nos Estados Unidos à espera de que o Departamento de Estado desse país decida sobre sua extradição por um caso de espionagem política e corrupção.