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Ex-general russo diz que caso de Skripal pode levar a "guerra real"

03/04/2018 10h16

Londres, 3 abr (EFE).- O general russo reformado Evgeny Buzhinsky, que dirige o grupo de pensamento moscovita sobre segurança PIR Center, alertou nesta terça-feira que o envenenamento do ex-espião Sergei Skripal no Reino Unido pode levar a uma "guerra real".

"É pior do que a Guerra Fria, porque se a situação continuar evoluindo como está agora, temo que termine em um cenário muito ruim", afirmou Buzhinksy em entrevista com a emissora britânica "BBC Radio 4".

O ex-general detalhou que a situação pode desencadear "uma guerra real", que na sua opinião seria "a última guerra da história da humanidade".

Buzhinsky ressaltou que o ataque contra Skripal e sua filha, Yulia, ambos internados em estado crítico após terem sido expostos a um agente químico de uso militar, estremeceu as relações entre Moscou, Estados Unidos e a União Europeia (UE).

Em resposta ao envenenamento em Salisbury (Inglaterra), no último dia 4 de março, o Reino Unido expulsou 23 diplomatas russos, medida que foi replicada por mais de 20 países, entre eles os EUA, que expulsou 60 membros da diplomacia da Rússia.

O responsável do PIR Center ressaltou que essas pressões internacionais só conseguirão "consolidar a sociedade russa ao redor do seu presidente", Vladimir Putin.

Buzhinsky acusou o Ocidente de "encurralar" a Rússia para forçar uma mudança de comportamento, quando "esse não é o diálogo que é preciso ter, nem o compromisso que precisamos".

"Se continuarmos expulsando diplomatas, o passo seguinte será a ruptura das relações diplomáticas, o que não levaria a lugar algum", acrescentou o ex-general, que ressaltou que "encurralar a Rússia é algo muito perigoso".

Buzhinsky conversou com a "BBC Radio 4" após o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, sugerir no último fim de semana que o ataque contra Skripal "beneficiou" o governo britânico, ao tirar as atenções do "Brexit".

Por sua vez, um porta-voz do governo britânico afirmou que o Reino Unido preferiria "ter na Rússia a um parceiro construtivo, disposto a respeitar as normas".