Ex-procuradora venezuelana entrega provas contra Maduro em caso Odebrecht

Bogotá, 3 abr (EFE).- A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz entregou nesta terça-feira ao Tribunal Supremo no exílio em Bogotá provas para que a corte abra um julgamento do presidente do país, Nicolás Maduro, por sua suposta participação no escândalo de propinas pagas pela construtora brasileira Odebrecht.

"Explicar o modus operandi utilizado pela Odebrecht vai ajudar a entender o caso no qual estão envolvidos funcionários do alto escalão da República, principalmente Nicolás Maduro Moros", disse Ortega no início de seu pronunciamento na audiência de mérito realizada no Congresso da Colômbia, onde a corte venezuelana funciona no exílio.

O ato contou com a participação dos magistrados do Tribunal Supremo de Justiça que foram cassados pela Assembleia Nacional Constituinte, considerada fraudulenta pela oposição venezuelana e por parte da comunidade internacional.

O Supremo funciona no exílio e se autodenomina "legítimo" por considerar que o que atua em Caracas foi nomeado "sem que se cumprissem os requisitos constitucionais".

Na audiência de hoje, Ortega entregou documentos nos quais alega que é comprovada a participação de Maduro em casos de propinas da Odebrecht que causaram um "prejuízo ao patrimônio público e um prejuízo à sociedade", e afirmou que as consequências são vistas na "atual crise humanitária" na Venezuela.

A ex-procuradora citou como exemplo de projetos afetados pela corrupção a construção inacabada da segunda ponte sobre o lago de Maracaibo, que custou cerca de US$ 3,2 bilhões aos cofres públicos, quase US$ 800 mil a mais que o orçamento inicial.

"Foram encontradas informações de pelo menos 13 projetos do Estado encomendados à Odebrecht e que estão na mesma situação: a linha 5 do metrô de Caracas, o sistema de transporte público de Caracas", afirmou Ortega.

A ex-procuradora acusou Maduro com base nas delações feitas pelo marqueteiro e assessor político João Santana à Justiça brasileira, segundo as quais o ex-presidente Hugo Chávez e o atual governante receberam propinas para campanhas políticas em troca de contratos com a multinacional.

"Se ganhassem as eleições, iriam favorecer a Odebrecht em diversos projetos e a aumentar o valor de contratos (...) foi tal o compromisso de Maduro que após tomar posse (como presidente) em 19 de abril de 2013, em 4 de maio estava aprovando o número da conta para desembolsar o dinheiro", acrescentou.

Diante destes fatos, Ortega pediu ao tribunal no exílio para analisar as provas e iniciar um julgamento do presidente venezuelano.

Por sua vez, o presidente da corte, Miguel Ángel Martín Tortabú, disse que no próximo dia 9 os demais membros do tribunal tomarão uma decisão com base nas provas e anunciarão, se for o caso, uma data para o julgamento do mérito, também na capital colombiana.

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