Topo

Exército de Serra Leoa nega suposto plano para matar candidato presidencial

03/04/2018 15h32

Freetown, 3 abr (EFE).- O exército de Serra Leoa negou nesta terça-feira ter um plano para matar o candidato presidencial opositor, Julius Maada Bio, após uma declaração de seu partido emitida esta ontem que denunciava esse suposto complô.

"O Ministério da Defesa condena de forma contundente e se opõe a estas alegações perigosas e enganosas que tendem a minar a integridade das Forças Armadas da República da Serra Leoa e também a paz e a segurança", afirmou o chefe do Estado Maior, o tenente-general Brima Sesay, em um comunicado.

Sesay pediu à polícia que investigue essas acusações e destacou a "determinação" das Forças Armadas de permanecer "apolíticas, profissionais e respeitosas com a Constituição de Serra Leoa em todo o momento".

A nota foi emitida depois de o secretário-geral do Partido Popular de Serra Leoa (SLPP), Umaru Napoleon Koroma, afirmar ontem em um comunicado que "há agora um plano ativo para assassinar" Bio, candidato desse partido no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último sábado.

Koroma citou "fontes críveis" para fundamentar sua acusação e fez alusão a vários "oficiais militares" que, segundo ele, têm "conhecimento pleno" desse "complô de assassinato", sem apresentar prova alguma.

Esta troca de acusações ocorre em um clima de tensão política após as eleições de sábado, nas quais Bio enfrentou Samura Kamara, candidato do governante Congresso de Todo o Povo (APC).

A Comissão Nacional Eleitoral (NEC) retomou ontem a contagem dos votos após os dois candidatos combinarem não interromper o processo e acatar o sistema de apuração do organismo.

Um recurso apresentado pelo advogado vinculado ao APC Ibrahim Sorie Koroma, no qual já questionava o sistema de contagem da NEC nas primeiras eleições, obrigou o adiamento destas novas eleições, que estavam previstas para 27 de março.

Sem que a NEC tenha publicado resultados, ambos os partidos se declararam vencedores, algo que a Comissão de Registo de Partidos Políticos criticou hoje porque esse comportamento é "uma receita para o caos" e "engana os eleitores".

A votação de sábado foi declarada por várias missões internacionais, entre elas a da Commonwealth e a da União Africana (UA), como um processo justo, livre e crível.

Em suas conclusões preliminares, a Missão da União Europeia (UE) afirmou hoje que a votação transcorreu de "forma ordenada" e que a NEC demonstrou seu "verdadeiro compromisso com uma eleição inclusiva e transparente" que, no entanto, foi "ofuscada por tensões e ataques políticos" à Comissão.

Kamara, ex-governador do Banco Central e ex-ministro de Finanças e de Relações Exteriores, e Bio, um militar que deu um golpe de Estado em 1995 e governou por dois meses e meio, pretendem suceder o presidente Ernest Bai Koroma, que, após 11 anos no poder, completou os dois mandatos permitidos pela Constituição do país.