Laboratório não pode confirmar procedência de toxina que envenenou ex-espião

Londres, 3 abr (EFE).- O laboratório britânico que identificou o agente nervoso com o qual o ex-espião russo Serguei Skripal e sua filha Yulia foram envenenados há um mês indicou nesta terça-feira que não foi possível "verificar" a procedência dessa toxina.

Gary Aitkenhead, conselheiro delegado do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa do Porton Down, um centro militar situado no condado de Wiltshire (centro da Inglaterra), afirmou à rede "Sky News" que os especialistas não verificaram "a fonte precisa" de onde provém o agente químico "Novichok", utilizado para envenenar aos Skripal.

Segundo Aitkenhead, o trabalho do laboratório se limita a "proporcionar a evidência científica" que identifica o agente nervoso.

"Identificamos que era da família do 'Novichok' e que é de tipo militar, mas o nosso trabalho não revela onde foi realmente fabricado", sustentou.

Aitkenhead apontou que toda a informação solicitada no centro militar foi levada ao Governo do Reino Unido, que acusa diretamente o presidente russo, Vladimir Putin, de estar por trás do ocorrido, mas o Kremlin nega categoricamente qualquer envolvimento nos fatos.

O funcionário indicou que o Executivo utilizou os dados proporcionados pelo Porton Down e "várias outras fontes" para chegar "às conclusões às quais chegaram".

O embaixador russo perante a União Europeia (UE), Vladimir Chizhov, insinuou há dias que o veneno poderia proceder do próprio laboratório britânico, a apenas 12 quilômetros de Salisbury, a cidade do sul da Inglaterra onde Skripal e sua filha foram intoxicados.

"A Porton Down é a maior instalação militar que há no Reino Unido que se encarrega de desenvolver investigações relacionadas com armamento químico", apontou.

A maior concentração do agente químico foi encontrada na porta de entrada da casa do ex-espião em Salisbury. Além disso, também foram encontradas baixas concentrações do agente em outros lugares, entre eles no restaurante italiano onde os Skripal almoçaram no dia dos fatos e em seu automóvel.

O ex-agente, de 66 anos, e sua filha, de 33, continuam hospitalizados em estado grave, ainda que ela tenha mostrado sinais de melhora nos últimos dias, após terem sido atacados em 4 de março.

Cerca de 250 agentes da unidade antiterrorista da Scotland Yard continuam trabalhando na investigação de fatos que suscitaram em um grave conflito político e diplomático entre o Reino Unido - apoiado entre outros pela União Europeia e os Estados Unidos - e a Rússia. EFE

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