Netanyahu cancela acordo com Acnur para não deportar imigrantes africanos

Jerusalém, 3 abr (EFE).- O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou nesta terça-feira que cancela o acordo alcançado com o Acnur para evitar a deportação forçada de 32 mil imigrantes africanos, o que previa permitir a permanência de metade e levar o resto para países ocidentais.

O chefe do Governo israelense anunciou na tarde de ontem o acordo com o organismo da ONU, que interrompia o polêmico plano de deportação dos imigrantes a terceiros países na África iniciado neste ano, mas horas depois e após receber duras críticas dos setores mais direitistas e de seu próprio partido, anunciou ontem à noite a suspensão e hoje o cancelamento.

"Após avaliar vantagens e desvantagens, decidi cancelar o acordo", declarou Netanyahu após se reunir com vizinhos do sul de Tel Aviv nos quartéis do Exército israelense da cidade.

"De vez em quando, pega uma decisão que deve ser considerada", declarou o premiê israelense, que disse ter feito muitas consultas nas últimas horas com o ministro do Interior, Aryeh Deri, bem como com profissionais e moradores da zona sul de Tel Aviv, onde vive a maioria de imigrantes e solicitantes de asilo africano.

Parte da população israelense destes bairros protestou com dureza contra a presença de milhares de imigrantes há anos.

"Apesar das crescentes dificuldades legais e internacionais, continuaremos atuando com determinação para esgotar todas as possibilidades disponíveis para eliminar os infiltrados", disse o líder do Executivo israelense, e assegurou que "ao mesmo tempo, seguiremos buscando soluções adicionais".

Em janeiro, Israel anunciou o plano de deportação em massa que seria aplicado a 32 mil dos 38 mil imigrantes africanos que calcula-se que haja no país, a maioria da Eritreia e Sudão, excluindo 6 mil menores e progenitores com filhos aos seus cuidados, enquanto que a partir de fevereiro começou a entregar as ordens de deportação.

O plano foi alvo de rejeição social, com manifestações e membros de todo o espectro da sociedade civil israelense solidarizando-se com os imigrantes.

Ontem, depois de Netanyahu anunciar o acordo com Acnur que hoje foi definitivamente cancelado, o premiê recebeu críticas dos partidos de direitas, entre os quais estavam os seus parceiros governamentais e sua própria formação política, o Likud.

"Dar status a 16 mil infiltrados em Israel transformará o país no paraíso para os infiltrados e constitui uma rendição", disse o ministro de Educação e sócio principal da coalizão de governo, Naftali Benet.

Benet exigiu que seja implementado o plano original e que "os refugiados de lugares perigosos, que sejam absorvidos por Israel, e os infiltrados para trabalhar, que sejam devolvidos".

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