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Partido político paquistanês rejeita inclusão em lista de terroristas dos EUA

03/04/2018 09h54

Islamabad, 3 abr (EFE).- O partido político da organização Jamaat-ud-Dawa (JuD) de Hafiz Said, acusado pela Índia e pelos Estados Unidos do ataque terrorista na cidade indiana de Mumbai, qualificou nesta terça-feira de violação dos direitos humanos sua inclusão ontem na lista de organizações terroristas dos EUA.

O secretário de Informação da Liga Muçulmana Nacional (MML), Tabish Qayyum, afirmou em um comunicado que os EUA não têm direito a intervir nos assuntos políticos internos do Paquistão e privar os paquistaneses de liberdades políticas.

"A Liga Muçulmana Nacional é um partido político pacífico que realiza atividades políticas de acordo com a Constituição do Paquistão", indicou Qayyum, que acrescentou que sua formação não é a tampa de nenhuma organização, apesar de em seus encontros usarem os símbolos e fotos de Said.

JuD, grupo incluído na lista de grupos terroristas dos Estados Unidos e da ONU, anunciou em agosto a formação da Liga Muçulmana Nacional como seu partido político e participou de várias eleições locais com candidatos independentes.

O Departamento de Estado americano emendou ontem a designação da organização terrorista Lashkar-e-Taiba (LeT) como a Liga Muçulmana Nacional e Tehreek-e-Azaadi Jammu and Kashmir (TAJK), e incluíu essas duas últimas organizações na sua lista de organizações terroristas.

Washington acusa Jamaat-ud-Dawa de Said de ser uma tampa da LeT, que supostamente realizou o massacre de Mumbai que deixou 166 mortos em 2008.

A Comissão Eleitoral do Paquistão negou em outubro o registro do partido, que foi a um tribunal e este em março ordenou ao órgão eleitoral que revisasse de novo o pedido de registro, processo que continua.

Os EUA ofereceram uma recompensa de US$ 10 milhões por Said, mas o líder islamita se moveu livremente pelo Paquistão, participando de atos e proclamando discursos.

Em fevereiro, o Governo paquistanês ordenou o bloqueio das contas e bens do JuD, depois que em janeiro os EUA suspenderam o Programa de Fundos de Apoio à Coalizão ao Paquistão, que chega a US$ 900 milhões, pela falta de "medidas decisivas" na luta contra o terrorismo.