Acnur denuncia situação "muito grave" de refugiados em ilhas de Nauru e Manus

Genebra, 4 abr (EFE).- A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) qualificou nesta quarta-feira de "muito grave" a situação de centenas de refugiados e requerentes de asilo em Nauru e na ilha de Manus (Papua Nova Guiné), onde a Austrália gerenciava até o ano passado centros de processamento de solicitações.

A Austrália reativou em 2012 a controversa política de tramitar em outros países os pedidos de asilo e estabeleceu centros de registro de processamento nessas duas ilhas do Pacífico, embora, por diferentes razões, tenham sido fechados no final de 2017.

"A Austrália é obrigada a receber e ajudar todas aquelas pessoas que necessitam de proteção internacional e a não delegar suas responsabilidades a outros", denunciou em entrevista coletiva o diretor do Escritório para a Ásia e Pacífico da Acnur, Indrika Ratwatte.

Ratwatte considerou que o mais grave é que as próprias avaliações feitas pela Austrália tinham determinado que mais de 80% das pessoas nos centros de acolhimento das duas ilhas tinham sido reconhecidas como refugiados e, portanto, precisavam de proteção internacional.

"Mais de cinco anos de detenção afetou enormemente os refugiados e requerentes de asilo, especialmente as crianças que estão em uma situação muito grave", acrescentou.

O diretor indicou que um dos aspectos que retrata a grave situação é a saúde mental, dado que mais de 80% dos residentes foram diagnosticados com estresse pós-traumático ou depressão, tanto em Nauru como em Manus.

"O sentimento de desespero e falta de esperança está extremamente presente", ressaltou Ratwatte, enquanto lembrou que o fato de as pessoas estarem separadas de suas famílias só complica seu estado de saúde mental.

Para o diretor, "a transição dos serviços às autoridades de Nauru e de Manus não é a adequada. A Austrália teria que continuar apoiando estes serviços".

Originalmente, nas duas ilhas viviam 3.172 refugiados e requerentes de asilo, e atualmente há 1.100 em Nauru e 800 em Manus.

Muitos dos refugiados e requerentes de asilo em Manus e Nauru fugiram de conflitos como os do Afeganistão, da região sudanesa de Darfur, Paquistão, Somália e Síria.

Outros escaparam da discriminação, como as minorias rohingya, em Mianmar, e bidune, na região do golfo Pérsico.

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