Autor confesso de "roubo do século" em Nice é condenado por delitos menores

Paris, 4 abr (EFE).- O autor confesso do roubo "do século", que em 2010 disse ter sido o cérebro do golpe de Nice de 1976 no qual foram roubados o equivalente a 27 milhões de euros atuais, só pôde ser condenado pela justiça francesa por delitos menores.

Jacques Cassandri, de 74 anos, foi condenado nesta quarta-feira pelo Tribunal Correcional de Marselha a 30 meses de prisão e 200 mil euros de multa por desvio de fundos, trabalho irregular e tráfico de influências, delitos ligados aos seus negócios imobiliários.

A justiça não pôde condená-lo pelo roubo de um banco de Nice, porque quando publicou seu livro-confissão, esse delito já tinha prescrito, mas não conseguiu condená-lo pela lavagem do dinheiro roubado pela qual tinha sido processado, porque como reconheceu o promotor, não conseguiu estabelecer a origem da sua fortuna.

Cassandri, que não terá que ser preso por causa de sua elevada idade e porque já esteve meio ano em prisão preventiva, considerou "moderada" a condenação e apenas pôde ocultar sua satisfação.

Uma pena simbólica para um homem que durante a audiência oral em fevereiro assegurou que o livro em que se apresentava como o cérebro do golpe não era mais do que "um romance".

De fato, contra o que tinha afirmado por escrito, negou ter participado no roubo cometido em uma filial da Société Genérale de Nice em 18 de julho de 1976.

Durante os dois dias prévios, os autores escavaram um túnel para conseguir chegar ao interior da entidade, perfurar o muro da caixa-forte e levar o conteúdo de 317 caixas de segurança, não sem antes escrever com giz a frase: "Nem disparos, nem violência, nem ódio".

Durante anos, os investigadores tinham considerado que o cérebro do roubo era Albert Spaggiari, que morreu após ter fugido do escritório do juiz instrutor.

Mas a publicação da "French Connection" em 2010 sob o pseudônimo de D'Amigo, mudou as coisas e levou à justiça a se centrar na figura de Cassandri, um conhecido membro da máfia de Marselha.

Incapazes de se envolver em um roubo que já estava prescrito, os investigadores puseram o foco na lavagem do dinheiro, que consideraram que podia ter ido parar em suas atividades empresariais, em particular a abertura de uma conhecida discoteca de Marselha e operações imobiliárias em Córsega.

Mas o promotor, Etienne Perrin, reconheceu durante a vista que não havia provas para relacionar o dinheiro de Cassandri com o do roubo, por isso que não pediu uma condenação por esse delito.

Por outro lado, manteve outras acusações, que o levaram a pedir 5 anos de prisão e 300 mil euros de multa, uma pena muito superior à qual finalmente foi imposta pelos juízes.

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