Milhares de pessoas homenageiam legado de Martin Luther King nos EUA

Raquel Godos.

Memphis (EUA), 4 abr (EFE).- Passados 50 anos desde a morte de Martin Luther King Jr., milhares de pessoas se reuniram nesta quarta-feira em frente à sacada do hotel Lorena de Memphis no qual foi assassinado, e também ao longo dos Estados Unidos, para celebrar sua vida, seu legado, e lembrar que seu "sonho" ainda precisa ser realizado.

Os cartazes com o lema "Sou um homem", cunhado pelo líder dos direitos civis durante a greve de lixeiros que ele apoiou pouco antes de seu assassinato, lotaram a cerimônia de homenagem a King, repleta de líderes negros, religiosos e ativistas.

Meio século depois, e pela primeira vez juntos de novo, o reverendo Jesse Jackson e o ex-embaixador Andrew Young subiram a essa sacada na qual viram King agonizar aos seus pés, justamente os únicos líderes vivos que restam daquele grupo que mudou a história dos direitos civis dos Estados Unidos.

"Uma crucificação aconteceu aqui", disse o reverendo, comparando a figura de Jesus com o "mártir" que se tornou o doutor King.

"Se Atlanta fosse Belém, se (a igreja) Mason Temple fosse seu Getsêmani, este seria seu Calvário. Mas, virando a esquina, está a ressurreição. E está vivo!", acrescentou, para delírio do público presente.

Jackson reconheceu focos de esperança em meio às injustiças atuais, e considerou que o espírito de Luther King "vive" em alguns deles, como o recente movimento estudantil para o controle de armas "Never Again" (Nunca Mais), nascido após o tiroteio em uma escola de ensino médio na Flórida.

"Quando esses garotos marcham para proibir os fuzis de assalto e as armas... ele está vivo", assegurou.

No entanto, Jackson reiterou que não é suficiente admirar sua figura, e insistiu que aqueles que valorizam a justiça e a igualdade devem ter a vontade e a coragem de seguir seu exemplo e "lutar pelas coisas pelas quais ele lutou".

"Naquela noite decidimos que uma bala não mataria todo um movimento", destacou.

Muitos dos presentes se reuniram antes da cerimônia em frente à sede da Federação Americana de Empregados Estatais, Municipais e Locais na rua Beale, onde 50 anos atrás os funcionários de coleta de lixos reivindicavam um salário digno.

Alguns deles estiveram ali 50 anos antes e decidiram marchar alguns quilômetros hoje em homenagem a King para lembrar que deu a vida por eles e que lhes fez se sentirem "orgulhosos" de quem eram apesar da sua pobreza.

Outros, como Ron Forseth, líder religioso e ativista da organização Pearson, que trabalha pela integração racial, percorreu 80 quilômetros junto a um grupo de jovens amparados pelo seu programa com a vocação de chegar a Memphis e alçar a voz por King.

Forseth explicou à Efe que começaram sua marcha no último sábado e que seu principal objetivo é contribuir ao "sonho" de Martin Luther King Jr.

"Estamos aqui para brigar pela reconciliação racial, pela justiça social, a justiça económica e pela paz", frisou.

Também esteve presente na homenagem o presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), Tom Pérez, que em declarações à Efe salientou que a maneira de realizar o sonho do líder dos direitos civis é através do exercício do voto.

"A coisa mais importante que temos que fazer para realizar o sonho do doutor King é votar. (...) Os republicanos estão gastando muito tempo para dificultar o processo de votar, e os democratas estamos tentando ajudar essas pessoas para que possam exercer seu direito", garantiu.

Pérez também lembrou o caráter "divisório" do governo do presidente Donald Trump, e considerou que sua atitude com as minorias e os imigrantes é o oposto do que King defendia 50 anos atrás.

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