Opositor Julius Maada Bio vence eleições presidenciais em Serra Leoa

Freetown, 4 abr (EFE).- O candidato opositor Julius Maada Bio venceu o segundo turno das eleições realizadas no sábado passado em Serra Leoa, derrotando o governista Samura Kamara, segundo anunciou nesta quarta-feira a Comissão Nacional Eleitoral (NEC).

Bio, antigo militar golpista e líder do Partido Popular de Serra Leoa (SLPP), obteve 51,81% dos votos, enquanto Kamara, ex-ministro de Relações Exteriores e Finanças do governante Congresso de Todo o Povo (APC), terminou com 48,19%, de acordo com os resultados divulgados pela NEC.

A expectativa é que o vencedor, que substituirá Ernest Bai Koroma na presidência, seja empossado ainda hoje de maneira iminente em um ato oficial perante o presidente do Tribunal Supremo, Abdulai Hamid Charm.

Estas eleições, as primeiras após a epidemia de ebola de 2014 que castigou Serra Leoa e a conclusão das operações de paz da ONU no país, põem fim aos quase 11 anos de Koroma no poder, depois de completar os dois mandatos permitidos pela Constituição.

Nas eleições presidenciais de 2012, Koroma derrotou justamente Bio, que tinha dado um golpe de Estado em 1996 - após ter colaborado em outro quatro anos antes - para governar durante quase dois meses e meio e abrir passagem a eleições democráticas e pluripartidárias em plena guerra civil (1991-2002).

Uma grande tensão política marcou o segundo turno das últimas eleições, depois que Bio venceu Kamara por pouca margem no primeiro turno, realizado no último dia 7 de março.

Os atritos entre o SLPP e o APC chegaram a tal ponto que o exército de Serra Leoa negou nesta terça-feira ter um plano para matar Bio, após uma declaração do seu partido que advertia para esse suposto complô.

A Comissão Nacional Eleitoral retomou nesta segunda-feira a apuração dos votos depois que os dois candidatos concordaram em não interrompê-la e acatar o sistema de contagem do organismo.

Um recurso judicial apresentado pelo advogado Ibrahim Sorie Koroma, vinculado ao APC e no qual já questionava o sistema de apuração da NEC no primeiro turno, provocou o adiamento do segundo turno, que estava previsto para 27 de março.

Sem que a NEC publicasse resultados, ambos partidos chegaram a reivindicar a vitória, algo que foi criticado ontem pela Comissão de Registro de Partidos Políticos, ao alegar que esse comportamento era "uma receita para o caos".

A votação do sábado foi declarada por várias missões internacionais, entre elas a da Commonwealth e a da União Africana (UA), como um processo justo, livre e crível.

Nas suas conclusões preliminares, a Missão da União Europeia (UE) afirmou nesta terça-feira que a votação foi "ordenada" e que a NEC demonstrou seu "verdadeiro compromisso com uma eleição inclusiva e transparente" que, no entanto, se viu "eclipsada por tensões e ataques políticos" à Comissão.

Bio deverá enfrentar agora problemas como a pobreza - segundo dados do Banco Mundial, mais da metade dos 7,4 milhões de habitantes do país vive com menos de US$ 2 ao dia - e a consolidação da recuperação econômica, já que o Produto Interno Bruto (PIB) se contraiu 25,5% entre 2014 e 2016.

Perante as promessas de Kamara de acabar com a corrupção, melhorar a gestão das finanças públicas e implantar medidas que aliviem a pobreza, Bio baseou seu programa eleitoral em promessas de educação pública gratuita para desenvolver os recursos humanos do país.

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