Candidato derrotado em eleições de Serra Leoa impugnará resultados

Freetown, 5 abr (EFE).- O candidato governista derrotado nas eleições de Serra Leoa, o ex-ministro Samur Kamara, afirmou nesta quinta-feira que impugnará os resultados das eleições, que deram a vitória ao líder opositor Julius Maada Bio, investido na Presidência do país na madrugada desta quinta-feira, informou a imprensa local.

Em pronunciamento na televisão pública "SLBC", Kamara assegurou que não aceitará os resultados anunciados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN) porque "a vontade das pessoas não foi refletida neles", anunciando que vai apresentar um recurso no Tribunal Supremo do país.

O candidato do socialista Congresso de Todo o Povo (APC, na sigla em inglês), que governou de 2007 até estas eleições, assegurou que a CEN ignorou suas denúncias de irregularidades como votações múltiplas em regiões do sudeste do país como Bo, Kailahun e Kenema, áreas de voto tradicional no nacionalista Partido Popular e Serra Leoa (SLPP, em inglês) de Bio.

As leis serra-leonesas preveem que, apesar de o novo presidente já ter assumido o poder, qualquer cidadão que tenha votado nas eleições pode apresentar um recurso à máxima instância judicial do país nos sete dias seguintes ao anúncio dos resultados definitivos.

Antes da realização do segundo turno, um advogado ligado ao APC apresentou um recurso em que questionava os sistemas de contagem de votos da Comissão, o que fez a votação atrasar alguns dias.

O novo chefe de Governo assumiu o cargo perante o presidente do Tribunal Supremo, Abdulai Hamid Charm, pouco após ser declarado vencedor das eleições.

Em uma cerimônia realizada em um hotel de luxo da capital, Freetown, Bio, que já governou o país durante dois meses e meio em 1996 após dar um golpe de Estado que desembocou em eleições democráticas pluripartidárias, pediu aos serra-leoneses que o apoiem para impulsionar o desenvolvimento do país.

Segundo os resultados anunciados pela CEN, Bio venceu com 51,81% dos votos no segundo turno, realizado no sábado passado, enquanto que Kamara ficou com 48,19%.

Estas eleições foram as primeiras após a epidemia de ebola de 2014, que deixou perto de 4.000 mortos no país, e o fim das operações de paz da ONU, que começaram devido à guerra civil (1991-2002), uma das mais sangrentas das últimas décadas.

Bio deverá enfrentar agora problemas como a pobreza - segundo dados do Banco Mundial, mais da metade dos 7,4 milhões de habitantes do país vive com menos de US$ 2 por dia - e a consolidação da recuperação econômica, já que o PIB caiu 25,5% entre 2014 e 2016. EFE

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