Alemanha diz que caso Puigdemont não afeta relações com Espanha

Berlim, 6 abr (EFE).- O governo da Alemanha declarou nesta sexta-feira que o caso do ex-presidente autônomo da Catalunha Carles Puigdemont está exclusivamente nas mãos da Justiça e que a decisão da Audiência Territorial de Schleswig-Holstein de descartar a extradição do político não afeta as relações com a Espanha.

"Não há nada novo que possa ser dito sobre o assunto, trata-se de um caso que está nas mãos da Justiça e que não afeta as relações entre os dois governos", disse em entrevista coletiva a vice-porta-voz do governo alemão, Ulrike Demmer.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores alemão, Rainer Breul, afirmou que este é um caso de cooperação entre os órgãos de Justiça dos dois países, do qual ambos os governos estão à margem.

"Não acredito que o caso represente uma carga, os tribunais confiam uns nos outros e cooperam entre si. Isso é algo que não tem que ser acompanhado por contatos políticos", acrescentou.

Demmer insistiu que o governo de Angela Merkel segue confiante que o conflito catalão será resolvido de acordo com a Constituição e as leis espanholas.

Breul disse acreditar que os deputados do Parlamento da Catalunha são capazes de designar em breve um novo governo autônomo dentro da Constituição que possa encontrar uma solução para o conflito junto ao governo espanhol.

O porta-voz do Ministério de Justiça alemão, Maximilian Kall, negou a necessidade de uma reforma da ordem europeia de detenção e entrega que elimine o princípio de dupla incriminação para que haja um maior automatismo.

A Audiência Territorial de Schleswig-Holstein, que decretou ontem a liberdade de Puigdemont com pagamento de fiança, considerou que a extradição pelo crime de rebelião era inadmissível porque não cumpre o requisito da violência exigido pela lei alemã e decidiu estudar a entrega só por desvio de recursos públicos.

"A ferramenta da ordem de detenção europeia funcionou, é direito europeu, só poderia mudar no âmbito das instituições europeias e não há motivo para tentar trocá-la", manifestou Kall.

Na oposição, o porta-voz de política europeia do grupo parlamentar da Esquerda, Andrej Hunko, que no fim de semana passado participou de uma manifestação em Berlim para pedir a liberdade de Puigdemont, considerou a decisão do tribunal como "um tapa" nos governos de Merkel e de Rajoy.

"A decisão da Audiência Territorial é um triunfo do estado de Direito e um tapa em Madri e Berlim", disse em comunicado o deputado, cujo partido foi o único a se manifestar contra a extradição quando Puigdemont foi detido na Alemanha em 25 de março.

Os principais veículos da imprensa alemã interpretaram a decisão da Audiência Territorial de Schleswig-Holstein como um revés para a Justiça espanhola.

A edição digital do semanário "Der Spiegel" recorreu a uma terminologia habitual do jornalismo esportivo e estampou na capa um artigo intitulado "Schleswig derrota a Espanha", no qual afirmou que os juízes alemães derrotaram a argumentação dos colegas espanhóis de que Puigdemont promoveu a independência da Catalunha à força.

O jornal "Frankfurter Allgemeine Zeitung" considerou que Puigdemont ganhou uma etapa com a Audiência Territorial alemã.

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