Audiência de ex-presidente sul-africano acusado de corrupção fica para junho

Joanesburgo, 6 abr (EFE).- O ex-presidente da África do Sul, Jacob Zuma, compareceu nesta sexta-feira brevemente em um tribunal para tratar questões de procedimento em uma causa onde enfrenta 16 acusações de corrupção e outros crimes, e a continuação do caso foi adiada para junho, por acordo entre as partes.

O juiz Themba Sishi presidiu no Superior Tribunal de Durban a esperada sessão, que durou pouco mais de 15 minutos e foi transmitida ao vivo pela televisão.

As partes acordaram adiar a continuação dos trâmites - assim como o estabelecimento de uma data para o início do julgamento - até o próximo dia 8 de junho.

A Promotoria afirmou estar pronta para começar o processo e que deseja que o início do julgamento seja em novembro, algo com o que a defesa não concordava.

Os advogados de Zuma, que apareceu com semblante tranquilo e fortemente escoltado e rodeado por uma comitiva de pessoas próximas e membros da igreja, agora buscam contestar as acusações para que o julgamento não chegue a ser realizado.

Esta era a primeira vez que Zuma se apresentou diante do juiz, depois que no dia 16 de abril do ano passado, o procurador-geral da África do Sul, Shaun Abrahams, anunciou oficialmente que acusava o ex-presidente.

Apesar do seu partido, o governante Congresso Nacional Africano (CNA), tinha dito que não encorajava seus partidários comparecerem no tribunal, mais de 2 mil pessoas se concentraram em Durban para apoiar o ex-presidente.

Os simpatizantes, que consideram as acusações uma caça às bruxas motivada pela agenda política e econômica do ex-presidente, concentraram-se em uma vigília desde a noite anterior e tinham realizado orações pedindo o melhor para Zuma.

Na saída da sessão, Zuma se dirigiu aos seus seguidores e afirmou que a acusação é por "razões políticas", segundo veículos de imprensa locais.

"Um dia desejarão que (este caso) nunca tivesse continuado", afirmou.

No total, as acusações contra Zuma são 16: uma por formação de quadrilha, dois por corrupção, uma por lavagem de dinheiro e 12 por fraude.

Estão baseadas em cerca de 800 operações supostamente fraudulentas realizadas em relação a um acordo milionário de armas assinado no final da década de 1990.

As acusações seguiram um caminho judicial muito complexo durante mais de uma década, já que foram originalmente apresentados pela Promotoria em 2007, pouco depois que Zuma derrotasse ao então presidente da República, Thabo Mbeki, no congresso para escolher o seguinte líder do CNA, que governa a África do Sul desde a chegada da democracia (1994).

Em 2009, com Mbeki já fora da Presidência, a Promotoria retirou as acusações ao considerar que se tinham apresentadas como vingança política contra Zuma.

No entanto, em maio de 2016, impulsionada pela oposição - que recorreu a decisão por considerar que a Promotoria atuou sob pressão política -, a Justiça ordenou restaurar de novo as acusações.

Os tribunais rejeitaram todos os argumentos apresentados posteriormente por Zuma.

Assim, a iniciativa sobre a promoção de um processo judicial ao ex-presidente estava novamente nas mãos do Promotoria.

Após vários atrasos, no último dia 16 de março, Abrahams anunciou finalmente a decisão da Promotoria de acusá-lo formalmente.

Zuma tinha renunciado um mês antes, forçado pelo seu próprio partido por conta dos diversos escândalos de corrupção que o atingiram e que terminaram com a imagem de "presidente do povo".

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