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Aumento de pobreza e desigualdade não abala favoritismo de Orbán

06/04/2018 16h41

Marcelo Nagy.

Budapeste, 6 abr (EFE).- Os aumentos nos índices de pobreza e desigualdade social durante os oito anos de governo do partido nacionalista conservador Fidesz na Hungria parecem não ter sido suficientes para promover mudanças na estrutura de poder do país.

Todas as pesquisas preveem uma vitória tranquila do partido do primeiro-ministro do país, Viktor Orbán, nas eleições legislativas do próximo domingo, apesar de 32% dos húngaros viverem em "condições extremamente difíceis", o dobro da média da União Europeia.

Das 20 regiões mais pobres da Europa, quatro estão na Hungria. O leste e o sul do país, onde o Fidesz é especialmente forte, se destacam em um relatório divulgado pelo Eurostat no ano passado.

O problema se agrava, segundo analistas, com o aumento da desigualdade no país, um índice que cresce graças ao sistema fiscal de uma única taxa, de 15%, que prejudica os mais pobres por redistribuir a riqueza na direção das camadas mais ricas.

Além disso, os húngaros pagam o maior Imposto sobre Valor Agregado (IVA) da União Europeia, de 27%, e tem uma das maiores tarifações sobre os salários do bloco, de 50%.

Orbán promoveu um aumento no salário médio dos húngaros nos últimos anos, 722 euros no fim de 2017, um aumento de 13% em relação ao ano interior, mas o país sofre com as diferenças entre os valores pagos no leste, mais pobre, e o oeste, região mais próspera.

Os dados negativos, porém, contrastam com um bom desempenho macroeconômico. A inflação ficou em 2,4% no ano passado, a dívida pública é de 74,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e o desemprego fechou janeiro em 3,8%. Para 2018, a previsão de crescimento da economia, segundo o Banco Mundial, é de 3,8%.

Um dos problemas para o desenvolvimento da economia húngara é a pouca mobilidade social da população, em geral muito fechada em suas tradições. Os filhos costumam "herdar" a pobreza dos pais.

Apesar disso, Orbán garante que o país, e a região do chamado grupo de Visegrado (Hungria, Eslováquia, Polônia e República Tcheca) serão o "motor da economia europeia em poucos anos".

As promissoras expectativas econômicas também entram em contraste comas crescentes críticas ao primeiro-ministro, acusado de autoritarismo e de minar a democracia. Além disso, cada vez mais há denúncias de corrupção no alto escalão do governo.

O Escritório Antifraude da União Europeia (Olaf) fez, em recente relatório, um alerta sobre práticas corruptas com recursos do bloco na Hungria. Istvan Tiborcz, genro do premiê, era citado no caso.

Nem o Olaf nem o governo da Hungria divulgaram o documento, mas, segundo o site "24.hu", a fraude garantia que a empresa de Tiborcz conseguisse contratos públicos sem disputar com as concorrentes.

A Comissão Europeia afirmou, de acordo com a imprensa local, que o volume de fraudes na Hungria supera a média do bloco, o que afeta negativamente o crescimento econômico do país.

O diretor do Instituto Political Capital em Budapeste, Péter Krekó, explicou que o Fidesz evitou falar sobre a economia na campanha eleitoral para não perder votos por causa da corrupção.

"O governo poderia alardear os dados macroeconômicos, mas lembra que perdeu as eleições em 2002, quando a economia ia bem", explicou o especialista em entrevista à Agência Efe.

Por outro lado, os partidos da oposição exploram os contrastes dos dados econômicos e os casos de corrupção para convencer a população a tirar o Fidesz do poder.