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Etiópia fecha grande centro de detenção denunciado por torturas

06/04/2018 15h19

Adis Abeba, 6 abr (EFE).- O Governo da Etiópia mandou fechar o centro de pesquisa e detenção policial de Ma'ekelawi, que vários grupos ativistas criticaram por ser uma "câmara de torturas", segundo informou a televisão estatal etíope "FBC".

O centro foi fechado depois de transferir todos os detidos que lá estavam sob investigação a uma nova instalação carcerária da capital etíope, Adis Abeba.

O partido governante na Etiópia, a Frente Democrática Revolucionária Etíope (EPRDF), anunciou em janeiro que tinha decidido pelo fechamento deste centro para transformá-lo em um museu, por sua vez anunciou um processo de anistia para milhares de presos como gesto de "consenso nacional".

Ma'ekelawi é um dos centros mais importantes de detenção do país, onde dissidentes, jornalistas, bloggers e manifestantes foram presos por protestar contra o Governo.

Um relatório da Human Rights Watch (HRW) de 2013 alertou que vários presos políticos foram submetidos a torturas e surras neste centro, acusações que o Governo etíope sempre negou.

Ma'ekelawi, que em amárico significa "central", é uma construção realizada durante a ocupação italiana da Etiópia nos anos 30 e 40, e foi usado pelos sucessivos governos para tirar confissões, muitas vezes por meio da tortura, a membros da oposição, jornalistas e ativistas dissidentes.

No começo de janeiro, o já ex-primeiro-ministro etíope Hailemariam Desalegn anunciou um processo de anistia, do qual se beneficiaram milhares de opositores políticos e ativistas, que incluía o fechamento desta prisão.

Em 16 de fevereiro, no dia seguinte após anunciar sua renúncia (a qual disse que não formalizaria até não estar disponível um substituto), Desalegn decretou o estado de emergência sob o qual foram detidas algo mais de mil pessoas e mais de uma dezena morreu pelas mãos das forças de segurança.

O estado de emergência foi decretado, segundo o Governo, perante "os eventos no país que ameaçam a segurança e a ordem constitucional", sobretudo pelos protestos nas regiões de Oromía e Amhara, onde habitam os dois principais grupos étnicos do país.

O novo primeiro-ministro, Abiy Ahmed, foi investido no último dia 9 e se comprometeu a realizar um amplo programa de reformas democratizadoras.