Ex-extremista convertido ao centro e esquerdista tentam surpreender nas urnas

Budapeste, 6 abr (EFE).- Gábor Vona, um ex-extremista de direita convertido ao centro, e o esquerdista Gergely Karácsony tentarão pôr fim ao domínio político do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, nas eleições deste domingo.

Vona, de 39 anos, é o líder do partido extremista Jobbik, que há quatro anos baseou seu programa eleitoral em promessas como a de lutar contra a suposta "criminalidade cigana", com um discurso abertamente xenofóbico e populista.

No entanto, há um ano ele decidiu passar no espectro político para o centro, transformando o Jobbik em um partido popular e deixando para trás grande parte do discurso radical. Por outro lado, manteve as mensagens contra a corrupção e a elite política, com as quais em 2010 já tinha conseguido a simpatia dos eleitores mais pobres e jovens.

O Jobbik, que tem a terceira maior bancada no Parlamento desde 2010, concorre agora com os socialistas pelo segundo lugar, e as pesquisas lhe preveem entre 15% e 20% dos votos.

Pai de um filho e pedagogo de formação, Vona foi apresentado na campanha eleitoral como "única alternativa real" a Orbán. Ele conta com o apoio de amplas camadas sociais, com mensagens às vezes menos alarmantes que o próprio governo, como por exemplo no tema da imigração, da qual é crítico, mas com um discurso menos radical.

Por sua vez, Gergely Karácsony é um dos presidentes do partido esquerdista Párbeszéd (Diálogo).

Este analista político, de 42 anos e pai de um filho, é o candidato de uma plataforma eleitoral formada com o partido socialista MSZP.

Karácsony é o atual prefeito do distrito 14 de Budapeste e foi eleito também como candidato pelo MSZP, uma legenda histórica, mas com uma popularidade e lideranças gastas.

De acordo com as pesquisas, o líder do Diálogo é o político mais popular da Hungria, à frente de Orbán e Vona.

Karácsony entrou na campanha eleitoral como um dos políticos mais comprometidos com a coordenação da oposição contra Orbán. Ele prometeu que, em caso de uma vitória da esquerda, o novo governo húngaro reformará a Constituição aprovada pelo premiê em seu primeiro mandato, além de uma emenda do sistema eleitoral, para depois convocar novas eleições.

Apesar das diferenças ideológicas, Karácsony e Vona não excluem a possibilidade de cooperarem na nova composição do Parlamento, em caso de derrota de Orbán.

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