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ONU Mulheres encoraja futuros líderes a lutar por igualdade na Ibero-América

06/04/2018 15h15

Madri, 6 abr (Efe).- A dirigente regional para a América e o Caribe da ONU Mulheres, a brasileira Luiza Carvalho, pediu nesta sexta-feira às novas gerações de líderes ibero-americanos que lutem pela igualdade de gênero na região, assim como pelo desenvolvimento de democracias e Estados com paridade.

Carvalho se reuniu em Madri com 50 jovens líderes ibero-americanos que participaram na Espanha de uma programa de formação de liderança através de encontros com distintas personalidades, entre elas o rei Felipe VI.

"Igualmente recebem um tratamento diferenciado e têm barreiras diferentes do que a dos homens, mas as mulheres também podem fazer a diferença", disse a responsável regional da ONU Mulheres na sede da Secretaria-Geral Ibero-americana (Segib).

A brasileira lembrou de sua compatriota Marielle Franco, a deputada e defensora dos direitos humanos assassinada em 16 de março no Rio de Janeiro, e destacou a grande reação de rejeição que sua morte suscitou na população.

Nesse sentido, ressaltou os "alarmantes níveis de violência" na América Latina, com 14 países onde foram registradas "as maiores taxas de feminicídios", um tipo de assassinato que ocorre, disse, "pelo simples fato de ser mulher".

Também chamou a atenção sobre as desaparições de mulheres, que já estão começado a ser classificadas como feminicídios em alguns países latino-americanos, entre eles o México.

Apesar de desenhar uma situação muito pessimista para a região quanto à violência física e econômica para as mulheres, Carvalho destacou o trabalho que alguns países estão fazendo para conter esse tipo de condutas.

Como exemplos, apontou para Guatemala, um dos países com maior taxa de feminicídios do mundo, e a Costa Rica, "onde foi aprovado que todos os casos de violência sexual sejam resolvidos em um Tribunal em menos de dois meses", o que elimina "a sensação de impunidade" para os autores.

Carvalho pediu aos jovens líderes que no futuro "levem em conta" as desigualdades sofrida pelas mulheres.

No encontro discursou também a secretária-geral ibero-americana, Rebeca Grynspan, que insistiu na importância da conciliação para o futuro.

Para Grynspan, a igualdade de gênero "não é uma luta individual de cada mulher", o é de toda a sociedade.

"Temos que lutar coletivamente para que a sociedade seja melhor. É preciso uma massa crítica necessária, somos a metade e deveríamos estar representadas nessa mesma proporção", insistiu.

"Sou a favor da igualdade de gênero, porque é estar no lado correto da história, no caminho da igualdade", concluiu a secretária-geral ibero-americana.

O programa de formação no qual participaram 50 jovens é impulsionado pela Escola Ibero-Americana de Liderança (EILx), uma iniciativa da Segib e do Instituto Universitário de Pesquisa Ortega e Gasset.

Personalidades políticas e empresariais espanholas receberam durante a semana estes jovens, entre os quais figuram magistrados, parlamentares, responsáveis de gabinetes de presidências, de governos locais, comunicadores e especialistas no meio ambiente, desenvolvimento sustentado e político de prevenção da violência.