Orbán espera conseguir 3º mandato apesar de críticas e casos de corrupção

Marcelo Nagy.

Budapeste, 6 abr (EFE).- O controverso primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, é o favorito para ganhar neste domingo, pela terceira vez consecutiva, as eleições gerais no país, apesar das crescentes críticas contra seu autoritarismo e das acusações de corrupção de pessoas ligadas a ele.

Desde que o conservador e nacionalista partido Fidesz, fundado por Orbán, assumiu o poder em 2010, o governo húngaro pôs sob seu controle grande parte da imprensa, assim como o Tribunal Constitucional e a Auditoria Nacional, entre outras instâncias.

"Já não há possibilidade de reivindicar nada. Até a promotoria está no bolso", resumiu Péter Krekó, diretor do Instituto Political Capital em Budapeste.

Por isso, segundo o analista político, o governo atual pode sobreviver aos escândalos de corrupção que atingem até os círculos mais próximos do primeiro-ministro.

"A Hungria é uma democracia frágil que tem se movido para o autoritarismo", comentou Krekó sobre a evolução do país centro-europeu nos últimos oito anos.

O Escritório Antifraude da União Europeia (OLAF) divulgou no último mês de fevereiro um relatório que relacionava o genro de Orbán com práticas corruptas no uso de fundos comunitários.

Pouco depois apareceram acusações contra o líder do grupo parlamentar do Fidesz, Lajos Kósa, por uma turva vinculação com uma suposta herança de 4,3 bilhões de euros, que o deputado negou até o momento.

São cada vez mais numerosos os supostos casos de corrupção que saem nos meios de comunicação críticos com o governo húngaro.

Tudo isso no meio de uma "guerra midiática" entre Orbán e seu ex-amigo e hoje inimigo Lajos Simicska, um magnata que controla vários meios de comunicação no país.

A resposta do Fidesz e seu líder foi subir o tom de sua "campanha apocalíptica", centrada em um suposto perigo externo, proveniente da imigração, que ameaça o país e sua cultura, lembrou Krekó.

É uma campanha que Orbán maneja há dois anos, depois da chegada em massa de refugiados à Europa Central através da rota dos Balcãs, com um discurso xenófobo que com frequência relaciona os solicitantes de asilo com o terrorismo.

Além disso, Orbán e seus ministros alertam de forma reiterada sobre um suposto plano do filantropo multimilionário americano de origem húngara, George Soros, para levar à Europa um milhão de estrangeiros ao ano, supostamente em confabulação com a Comissão Europeia.

Já antes de iniciar-se oficialmente a campanha eleitoral, as ruas da Hungria se encheram de cartazes alarmistas contra Soros, os refugiados e a Comissão, e o Fidesz levou a campanha até extremos que beiram o racismo.

Seu cartaz mais recente, por exemplo, mostra uma multidão de supostos refugiados frente aos quais só aparece uma mensagem: "Stop!" ("Parem!").

Para Krekó está claro que Orbán tenta assim tirar a atenção das acusações de fraude e malversação que rodeiam seu gabinete. "Deve gritar mais forte que as críticas por corrupção", explicou o analista.

Orbán só precisa mobilizar seus simpatizantes, que segundo as pesquisas somam 35% dos cidadãos com intenção de votar, pois com seu apoio poderia voltar a ter maioria no parlamento, dada a fragmentação da oposição.

O extremista partido Jobbik, que nos últimos meses tenta conquistar eleitores mais moderados com um giro para o centro, contaria com pouco menos de 20% do apoio popular, enquanto o partido socialista MSZP obteria 17%.

Com este panorama, o Fidesz parece ter a vitória bem encaminhada neste domingo, apesar de não ter publicado nem sequer um programa para seu próximo mandato.

No entanto, há sinais que indicam o aumento da rejeição popular ao atual Executivo.

Segundo uma recente pesquisa do Instituto Závecz Research, 900.000 cidadãos com intenção de comparecer às urnas disseram que não apoiarão o Fidesz, ainda que estejam indecisos sobre em qual dos partidos opositores votarão.

Tendo em conta este dado, Krekó não quer descartar uma surpreendente derrota de Orbán. "Tudo pode acontecer", concluiu.

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