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Lula diz que cumprirá mandato de prisão e provará inocência

07/04/2018 14h10

São Bernardo do Campo (SP), 7 abr (EFE).- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado que cumprirá o mandato de prisão expedido pelo juiz federal Sérgio Moro e que vai provar que é inocente, durante um discurso em frente à sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP).

"Não estou escondido. Vou lá na barba deles, para eles saberem que eu não tenho medo, para saberem que não vou correr e para eles saberem que vou provar minha inocência. Eles têm que saber disso", bradou Lula, que desde quinta-feira, quando foi decretada a sua prisão, está na sede do sindicato onde iniciou a carreira sindical e política.

"Não estou acima da Justiça, se não acreditasse da Justiça, eu não teria feito um partido político, teria proposto revolução. Acredito na Justiça, mas na Justiça justa, baseada nas acusações, na prova concreta", acrescentou.

Lula alegou que tomou a decisão de se entregar de forma consciente.

"Se dependesse da minha vontade, eu não iria. Mas eu vou. Eu vou porque eles vão dizer a partir de amanhã que o Lula está foragido, que o Lula está escondido e que estou me escondendo. Vou para que saibam que não tenho medo e que vou provar a minha inocência", afirmou.

Lula, que lidera as pesquisas de intenção de voto para as eleições presidenciais de outubro, disse também que hoje mesmo se colocará à disposição das autoridades. Ele admitiu que quando visitou recentemente a fronteira do Brasil com o Uruguai, ouviu conselhos para que se refugiasse no país vizinho ou pedisse asilo na embaixada da Bolívia, mas respondeu que prefere enfrentar diretamente os acusadores.

"A história vai provar que quem cometeu um crime foi o delegado que me acusou, o procurador que foi injusto comigo e o juiz que me condenou", afirmou.

O ex-presidente admitiu que se entregará também para evitar que sua situação jurídica se complique, já que poderia ser alvo de uma prisão preventiva por obstrução à Justiça - o que dificultaria à frente um pedido de habeas corpus ou de prisão domiciliar.

Lula se vangloriou por ser um "construtor de sonhos" e por "cuidar mais da educação do que os diplomados e concursados".

"Sonhei que era possível pegar os estudantes da periferia e colocá-los nas melhores universidades do País. Daqui a pouco vamos ter juízes e procuradores nascidos na favela, nascidos na periferia. Se foi esse crime que eu cometi, eu vou continuar sendo criminoso", afirmou.

O ex-presidente rompeu hoje seu silêncio pela primeira vez desde o decreto judicial para que cumpra a pena de 12 anos e 1 mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do apartamento triplex no Guarujá (SP).

Apesar de Moro ter dado prazo a Lula para se entregar voluntariamente até as 17h de ontem, o ex-presidente se manteve recluso no sindicato sem esclarecer se iria se entregar.