Lula só viu advogado em primeiro dia preso e partidários fazem vigília na PF

Curitiba, 8 abr (EFE).- O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso desde ontem à noite na Superintendêndia da Polícia Federal (PF) em Curitiba para cumprir pena 12 anos por corrupção e lavagem de dinheiro, se encontrou apenas com um dos seus advogados no primeiro dia de prisão, enquanto seus partidários acampam a cerca de 200 metros do prédio da PF.

Lula ficou totalmente isolado na sala especial de 15 metros quadrados e, fora os guardas, o seu único contato foi com Cristiano Zanin, um de seus advogados, segundo um comunicado do Partido dos Trabalhadores (PT).

Sua sala está totalmente isolada da de outros condenados pelo escândalo de corrupção na Petrobras, incluindo alguns que o delataram, como o empresário Leo Pinheiro e seu ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci.

"Ele dormiu tranquilamente, continua sereno e tranquilo", segundo a nota do PT, que convocou manifestações em tudo o Brasil para exigir a libertação do ex-presidente.

De acordo com o comunicado, Zanin o acompanhou durante um longo antes de ter que deixar a sede da PF, à qual tinha previsto retornar na tarde deste domingo.

Apesar dos líderes políticos que começaram a concentrar-se em Curitiba e dos que anunciam viagens para os próximos dias, as visitas nos primeiros dias serão restringidas aos advogados.

A sala, que conta com uma cama de solteiro, uma mesa e um banheiro privativo, foi equipada hoje com uma televisão, algo autorizado pela justiça, que Lula pediu para poder ver a partida deste domingo entre Corinthians, seu time do coração, e Palmeiras pela final do Campeonato Paulista.

Como o prédio da PF foi totalmente bloqueado, os únicos que tiveram acesso, fora os polícias e guardas, foram os entregadores da empresa que fornece os alimentos dos presos e que levaram café e pão com manteiga para o café da manhã, às 7h, e arroz, feijão, massas e carne para o almoço, às 11h.

O PT anunciou que fará uma vigília permanente nas imediações da sede da polícia tanto para exigir a libertação de Lula quanto defender seu direito a disputar as eleições presidenciais de outubro.

"Até o dia em que Lula for solto, milhares de pessoas passarão todos os dias pelo local que se transformará no marco de peregrinação para todas as pessoas do Brasil e do mundo que lutam por justiça, democracia e respeito aos direitos fundamentais", acrescenta o comunicado.

No acampamento, animado hoje por um show da cantora Ana Cañas, era esperada a chegada neste domingo de 30 ônibus de diferentes partes do Brasil com seguidores do ex-presidente, mas a polícia calculou o número de manifestantes em cerca de 700 no início da tarde.

"Estamos em vigília permanente pela liberdade de Lula. Enquanto ele estiver, nós ficaremos", disse â Agência Efe Vanda Santana, membro da executiva paranaense do PT.

A defesa do ex-presidente admitiu que a estratégia agora é apresentar um recurso extraordinário exigindo a liberdade no Tribunal Superior de Justiça (STJ) e outro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Depois de quase 48 horas aquartelado no Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo e 26 horas após o término do prazo dado pelo juiz federal Sergio Moro, Lula se entregou à polícia na noite de ontem.

Esta é a primeira vez na história do Brasil que um ex-presidente é preso por um crime comum. Antes dele, outros ex-presidentes foram presos, mas por motivos políticos.

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