Partido das Farc critica detenção de ex-guerrilheiro por tráfico: "Montagem"

Bogotá, 9 abr (EFE).- O partido político das Farc criticou nesta segunda-feira a detenção de um de seus líderes, Jesús Santrich, por supostos crimes de narcotráfico, por considerá-la uma "montagem" que gera "uma grande desconfiança" em todos os ex-guerrilheiros.

"Este é o pior momento que poderia estar atravessando este processo de paz, o governo tem que atuar e impedir que estas montagens jurídicas desemboquem em fatos como este que geram uma grande desconfiança em todos os guerrilheiros", disse a jornalistas o segundo em comando da antiga guerrilha, Iván Márquez.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou hoje que o procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, tem "provas contundentes e conclusivas" da participação de Santrich, detido hoje em Bogotá, em crimes de narcotráfico.

Segundo Santos, esses crimes aparentemente foram cometidos depois da assinatura do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em 24 de novembro de 2016, e, caso as provas contra Santrich sejam "irrefutáveis", existe a possibilidade de extradição aos Estados Unidos.

Martínez, por sua parte, explicou que as autoridades colombianas detiveram Santrich "em cumprimento de uma circular vermelha", utilizada pela Interpol para solicitar a detenção preventiva visando à extradição.

Perante esta situação, Iván Márquez pediu ao governo que "gere fatos que impeçam que estas intenções que atentam diretamente contra o processo de paz se consolidem".

Por sua parte, Victoria Sandino, também dirigente do agora partido Força Alternativa Revolucionária do Comum (Farc), declarou que, assim como detiveram Jesús Santrich, podem fazer o mesmo com qualquer membro desse grupo.

"É uma situação muito perigosa que ratifica mais uma vez o que viemos dizendo, ou seja (...) a insegurança jurídica que temos os integrantes das Farc que fizemos este trânsito", acrescentou.

Por sua vez, o advogado de Santrich, Gustavo Gallardo, afirmou a jornalistas que seu cliente "não vai se deixar dobrar" e que começará uma greve de fome contra sua detenção.

Por fim, completou que sua detenção mostra que atualmente se vive um "processo de paz fracassado" e alertou todos os membros das Farc para que se preparem "para o que vem".

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