Três de cada quatro cidadãos da A.Latina não confiam no Governo, diz pesquisa

Bruxelas, 9 abr (EFE).- Três de cada quatro cidadãos da América Latina têm pouca ou nenhuma confiança em seu Governo e cerca de 80% afirmam que a corrupção no continente é generalizada, segundo o relatório "Repensar as Instituições para o Desenvolvimento", apresentado nesta segunda-feira em Bruxelas.

O estudo, elaborado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), adverte que a crescente desconfiança dos cidadãos em suas instituições e nos serviços públicos que recebem "corrói o contrato social".

A insatisfação dos cidadãos latino-americanos com suas instituições se deve, principalmente, à falta de emprego de qualidade e a uma pior avaliação de serviços públicos essenciais como a saúde e a educação.

Por exemplo, a porcentagem de população que se mostrou satisfeita com o sistema educacional caiu de 63% em 2006 a 56% em 2016, enquanto a satisfação com os serviços sanitários caiu de 57% para 41% no mesmo período.

Uma situação que, segundo as três instituições, deve ser solucionada mediante a "geração de confiança".

"Os cidadãos se dirigem a serviços públicos e não saem satisfeitos. A demanda e a oferta não se encaixam e isto gera frustração e debilita o contrato social, provocando que haja gente que saia do sistema", expôs o diretor do Centro de Desenvolvimento da OCDE, o italiano Mario Pezzini.

O relatório revela que o número de famílias que se mostram partidárias de não pagar impostos cresceu de 45% para 52% nos últimos sete anos, algo que afeta diretamente os serviços públicos.

"Se as famílias não pagam impostos, há menos recursos para melhorar os serviços. É um círculo vicioso", acrescentou Pezzini.

No mesmo sentido se pronunciou o responsável de assuntos econômicos do Serviço de Ação Exterior da União Europeia (UE), o sueco Christian Leffler, que indicou a necessidade de recuperar a confiança do cidadão de que seus impostos serão utilizados de forma eficaz.

"Um país onde o Governo tem medo de que sua sociedade não funcione. É preciso dialogar e explicar que funciona e também escutar para saber o que não funciona", enfatizou.

A América Latina não só sofreu com o descrédito de suas instituições, mas também com um ciclo econômico negativo que, segundo os especialistas, pôs em risco as conquistas obtidas na região durante as décadas passadas.

"Depois de vários anos de recessão econômica, vemos um aumento do PIB, que é importante, mas esse não é a única parte importante", disse o diretor-geral de Cooperação e Desenvolvimento da Comissão Europeia (CE), o italiano Stefano Manservisi, que ressaltou a importância de entender "como é gerado esse PIB e como é distribuído".

Segundo o relatório, 23% dos latino-americanos vivem atualmente abaixo do nível de pobreza, enquanto 40% pertencem à chamada "classe média vulnerável".

Por sua vez, o diretor-executivo da Cepal, o argentino Mario Cimoli, quis dar mais um passo e pediu que seja "repensado" o papel de América Latina dentro de um "contexto global complexo", assim como a natureza de suas instituições.

"Não podemos pensar que as instituições são iguais do que há 20 anos (...). Não podemos raciocinar como até agora, é preciso dar uma mudada de rumo", afirmou.

O relatório propõe fomentar a integração regional, como Mercosul, e reforçar a capacidade dos Estados para lutar contra a corrupção.

Também pede que seja fomentada a inovação no setor público para reconectar o Estado com os cidadãos e envolver a sociedade civil na tomada de decisões mediante novas plataformas tecnológicas.

Finalmente, os conferentes do estudo lamentaram a falta de mulheres no painel e asseguraram que está sendo feito "todo o possível" para que haja representação feminina.

A questão de gênero será também parte da solução para os problemas latino-americanos, concluíram os conferentes.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos