África do Sul relembra 25 anos do assassinato de líder antiapartheid

Johanesburgo, 10 abr (EFE).- A África do Sul relembrou com atos oficiais nesta terça-feira o 25º aniversário do assassinato do ativista antiapartheid e líder comunista Chris Hani, um crime que colocou em risco o delicado processo de transição do país para a democracia.

"Vejo o racismo que sobrevive na sociedade, crianças que nasceram depois da era do Apartheid ainda sentem a sua ira. Isso me diz que ainda temos trabalho a fazer", afirmou Lindiwe Hani, filha de Chris Hani, durante os atos de comemoração.

Junto a ela, a viúva de Hani, Limpho; políticos, ministros e autoridades do Partido Comunista Sul-Africano (SACP) se reuniram em Ekurhuleni (distrito metropolitano ao leste de Johanesburgo), onde Hani foi assassinado.

No início dos atos de lembrança foi organizada uma visita ao túmulo do ativista, onde foi deixada uma coroa de flores antes de começarem os discursos.

Os oradores destacaram o papel crucial de Hani na luta contra o regime de segregação racial que imperou na África do Sul até os anos 90.

Paralelamente, também foram realizadas diversas atividades artísticas para comemorar o aniversário, como a preparação de uma exposição de fotos que será aberta ao público no dia 21 de abril.

Os eventos também foram marcados por palavras de lembrança para outra figura histórica da luta pela libertação, Winnie Mandela, devido ao seu recente falecimento, no dia 2 de abril.

Hani, líder do Partido Comunista Sul-Africano e da guerrilha do Congresso Nacional Africano, foi morto em 1993 em frente à sua casa no leste de Johanesburgo pelo caminhoneiro polonês e militante anticomunista Janusz Walus.

O autor intelectual do crime foi o então parlamentar do Partido Conservador Clive Derby-Lewis, que morreu em 2016 devido a um câncer.

Derby-Lewis e Walus pretendiam gerar uma guerra racial que fizesse descarrilar o processo de transição democrática que culminou com o desmantelamento do Apartheid nas primeiras eleições multirraciais da história da África do Sul, em 1994.

Os dois foram condenados à morte, mas a sentença foi modificada pela de prisão perpétua após a África do Sul abolir a pena capital. Walus permanece preso apesar das suas solicitações para que receba a liberdade condicional.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos