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Justiça argentina determina intervenção do partido fundado por Perón

10/04/2018 22h12

Buenos Aires, 10 abr (EFE).- A Justiça da Argentina determinou nesta terça-feira a intervenção do opositor Partido Justicialista (PJ, peronista); uma tarefa que estará a cargo de um polêmico líder sindical, embora a atual direção da força política tenha antecipado que apelará da decisão nesta quarta-feira.

A decisão foi adotada pela juíza María Servini de Cubría a pedido de um grupo de líderes sindicais peronistas, liderado por Carlos Acuña, que solicitaram à Justiça que declare "o estado de acefalia" do PJ por desconhecer o mandato e a representatividade da atual diretoria do partido.

Os litigantes alegaram que o mandato dos integrantes do Conselho Nacional - órgão de condução do PJ - venceu em 2012.

Ao aceitar a medida cautelar, a juíza lembra que já tinha recebido previamente outras duas solicitações de intervenção e falou de uma "crise" dentro do partido fundado pelo três vezes presidente argentino Juan Domingo Perón.

Segundo sua opinião, as derrotas eleitorais de peronistas nos pleitos presidenciais de 2015 e nos legislativos de 2017 aprofundaram a "divisão interna" do PJ, com uma "crise na condução partidária difícil de superar".

"O grau de divisão alcançado, com linhas internas partidárias que ficam nas antípodas do pensamento político, criou uma situação crítica insustentável que, se permanecer no tempo, poderia afetar a própria existência do partido", advertiu a magistrada.

Servini nomeou como responsável de conseguir a "normalização" do partido o dirigente dos trabalhadores gastronômicos, José Luis Barrionuevo, um sindicalista peronista com idas e vindas em sua relação com os governos da peronista Cristina Kirchner (2007-2015) e o atual de Mauricio Macri.

Barrionuevo é marido da deputada Graciela Camaño, uma das figuras da Frente Renovadora liderada por Sergio Massa, um dos peronistas que optaram por concorrer eleitoralmente fora do selo formal do PJ.

Polêmico, entre outras coisas, por ter declarado que todos deveriam "deixar de roubar por dois anos" para que o país siga adiante, Barronuevo deverá agora, entre outras tarefas, fazer um inventário dos bens do PJ e informar à juíza sobre a situação econômico-financeira do partido.

Após saber da medida adotada por Servini - que já em 2005 tinha intervindo no PJ -, o titular do Conselho Nacional partidário, José Luis Gioja - que nas eleições de 2015 tinha apoiado a reeleição de Cristina, candidata da força kirchnerista Unidade Cidadã -, antecipou que nesta quarta-feira apelará da decisão.

Em declarações a jornalistas, Gioja, que não reconheceu Barrionuevo como interventor, alegou que se pretende "proscrever o principal partido opositor" e garantiu que há uma "clara intromissão" do governo de Macri por trás da medida judicial.

Por sua parte, Barrionuevo se apresentou na sede partidária, mas não pôde assumir como interventor, após o que denunciou que Gioja tinha se trancado em um escritório e solicitou que o edifício fosse desalojado.

Diante desta situação, a polícia foi chamada e formou um cordão nas portas da sede partidária para garantir a segurança.

Finalmente Gioja se retirou no início da noite, embora tenha garantido que fez isto por vontade própria após ter terminado de preparar uma reunião para o dia seguinte.

"Amanhã viremos aqui e, se a polícia estiver, iremos para outro lado", ressaltou.