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ONGs pedem inclusão dos direitos humanos na pauta da cúpula entre as Coreias

10/04/2018 05h54

Seul, 10 abr (EFE).- Quarenta organizações internacionais, entre elas Anistia Internacional (AI), Human Rights Watch (HRW) e as ONGs latino-americanas Associação Pró Direitos Humanos, do Peru, e Desenvolvimento da América Latina (CADAL), da Argentina, pediram nesta terça-feira ao presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, que de prioridade aos direitos humanos na próxima cúpula com a Coreia do Norte.

As ONGs enviaram uma carta a Moon onde celebram o desgelo das relações entre os dois países e reivindicam que as conversas do próximo dia 27 levem a uma melhora na situação dos norte-coreanos.

"Saudamos o renovado diálogo intercoreano, mas isso não será significativo para o povo da Coreia do Norte, se não levar a uma melhoria na terrível situação dos direitos humanos no país", disse o diretor da HRW para a Ásia, Brad Adams.

Pyongyang e Seul celebrarão uma histórica cúpula no próximo dia 27, o primeiro encontro entre líderes dos dois países em 11 anos, onde espera-se que a desnuclearização da península seja um dos pontos principais das conversas.

Na carta, as organizações pedem ao Sul que convide o líder norte-coreano, Kim Jong-un, a seguir as recomendações sobre direitos humanos da ONU, assim como participar da troca de informação com as organizações internacionais e permitir os encontros entre famílias coreanas separadas.

"Como o Conselho de Segurança da ONU reconheceu, os abusos contra os direitos humanos na Coreia do Norte e as ameaças à paz e a segurança internacional estão intrinsecamente ligados", continua Adams no comunicado.

Estas organizações estimam que desde o início da guerra entre as duas Coreias, na década de 1950, perto de um milhão de coreanos foram separados de seus familiares, vítimas de desaparecimentos forçados ou sequestrados.

"Os abusos na Coreia do Norte não tinham comparação no mundo contemporâneo, e incluíam o extermínio, assassinato, escravidão, tortura, prisão, estupros, abortos forçados e outras formas de violência sexual", detalha a carta.

Apesar do desgelo entre os dois países, estas ONGs consideram que a Coreia do Sul "não deveria ceder diante das ameaças aos direitos humanos do Norte" e destacam a necessidade de "pressionar" para que elas façam parte das negociações.