ONU alerta sobre racismo em homenagem às vítimas do genocídio em Ruanda

Nairóbi, 10 abr (EFE).- As Nações Unidas lembraram e homenagearam nesta terça-feira as 800 mil vítimas que morreram nos 100 dias que durou o genocídio em Ruanda em 1994, e alertaram para o aumento do racismo e da xenofobia no mundo.

Em mensagem lida pela diretora-geral do Escritório da ONU em Nairóbi, no Quênia, Shale-Work Zewde, o secretário-geral da organização, António Guterres, mostrou sua preocupação com o "aumento do racismo, dos discursos de ódio e da xenofobia no mundo".

Em particular, Guterres lembrou hoje, o Dia Internacional pela Reflexão do Genocídio contra os Tutsis em Ruanda, a minoria étnica rohingya, que está sendo perseguida atualmente em Mianmar.

Zewde, por sua vez, lembrou que foi o racismo e a xenofobia o que desencadeou o massacre em Ruanda e pediu a todos que não se contentem apenas em homenagear as vítimas, mas a "contribuírem para um mundo no qual o genocídio não possa acontecer".

Em um ato na sede da ONU no Quênia, embaixadores de todo o mundo, diplomatas e outras personalidades homenagearam com um minuto de silêncio, velas, poemas e orações as vítimas ruandesas no 24º aniversário do genocídio.

O massacre de 1994 supôs o extermínio de entre 20% e 40% da população de Ruanda, que na época era o país mais densamente habitado da África, com 7 milhões de pessoas.

Cerca de 70% das vítimas mortais eram da etnia tutsi, assassinados por extremistas hutus.

O assassinato do presidente ruandês, Juvenal Habyarimana (da etnia hutu, majoritária no país), em 6 de abril de 1994, junto com o presidente de Burundi, Cyprien Ntaryamira, que o acompanhava, quando seu avião foi derrubado antes de aterrissar no aeroporto de Kigali, foi o fato que desencadeou o massacre coletivo iniciado por hutus radicais e ainda continua sendo um mistério.

Após o genocídio, no qual também morreram vários hutus moderados, a Frente Patriótica de Ruanda (RPF), milícia que era liderada pelo atual presidente, o tutsi Paul Kagame, tomou o controle do país. Em 2006, uma investigação francesa culpou Kagame pela morte de Habyarimana, mas ele nunca admitiu o mesmo.

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