Orbán promete defender "soberania" da Hungria e anuncia medidas contra ONGs

Budapeste, 10 abr (EFE).- O primeiro-ministro da Hungria, o nacionalista Viktor Orbán, prometeu nesta terça-feira que continuará defendendo a "soberania" de sua nação dentro da União Europeia (UE) e anunciou a aprovação de novas restrições ao trabalho de ONGs no país centro-europeu.

Orbán conduziu seu partido Fidesz a uma vitória arrasadora nas eleições legislativas de domingo, ao obter 49% dos votos, quase 30 pontos acima do partido que ficou em segundo lugar, o Jobbik, de extrema-direita.

"O nosso apoio foi claro, é um mandato muito forte, se não o mais forte dos últimos 30 anos", afirmou Orbán em entrevista coletiva, na qual acrescentou que "os húngaros decidiram que são eles mesmos os que determinam com quem vão conviver", em alusão às políticas antimigratórias do governo.

Orbán interpretou os resultados como um apoio a suas políticas e reiterou que quer "uma Europa forte com nações fortes, e não os Estados Unidos da Europa".

"Os húngaros apoiaram claramente a soberania húngara", acrescentou o premiê.

Orbán confirmou que uma das primeiras medidas do novo parlamento será a aprovação do pacote legislativo conhecido como "Stop Soros!", em referência ao sobrenome do investidor americano de origem húngara George Soros.

O investidor, que doa grandes quantias de dinheiro a ONGs e organizações que defendem os direitos humanos, a democracia e a transparência, se transformou no principal inimigo do governo húngaro, que o acusa de fomentar a imigração para a Europa.

O projeto de lei prevê, entre outros aspectos, impostos extraordinários de 25% sobre as ONGs e a limitação de seu trabalho, tanto profissional como geográfico, com a imposição de restrições de acesso a áreas onde há imigrantes.

Ao ser questionado sobre se mudará suas políticas, que segundo seus críticos limitam a separação de poderes, Orbán respondeu que "na Hungria funciona uma democracia constitucional, todos os políticos devem jurar a Constituição".

Assim como já ocorreu em 2010 e em 2014, a ampla vitória do Fidesz pode fazer com que o primeiro-ministro conte com uma maioria parlamentar de dois terços, com a qual pode aprovar sozinho medidas legislativas de categoria constitucional.

Orbán também antecipou uma profunda remodelação de seu governo e o estabelecimento de novas prioridades, entre elas políticas demográficas para fomentar a natalidade.

"Os ministros concluíram seu trabalho e não seguirão governando, mas formaremos um novo governo. Haverá mudanças significativas", disse Orbán que, de acordo com seus cálculos, acredita que a formação do novo Executivo levará três ou quatro semanas.

Em relação às políticas do novo governo, Orbán adiantou que serão acentuadas as políticas demográficas e que seguirá com as medidas econômicas já iniciadas, que se concentram na diminuição da dívida externa e dos alívios fiscais.

Espera-se que os resultados finais e definitivos das eleições sejam apresentados no sábado, enquanto o novo parlamento poderia iniciar seu trabalho dentro de três semanas.

Apesar da campanha de Orbán ter se concentrado em alertar sobre os supostos perigos da imigração, a Hungria é um dos países da Europa com menos migração e os economistas advertiram para os problemas derivados do envelhecimento da população.

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