Rússia veta proposta dos EUA para investigar ataques químicos na Síria

Nações Unidas, 10 abr (EFE).- A Rússia vetou nesta terça-feira, no Conselho de Segurança da ONU, uma proposta dos Estados Unidos para estabelecer uma nova investigação e atribuição de responsabilidades pelo uso de armas químicas na Síria.

A resolução americana, que também condenava o suposto ataque em Duma, no último fim de semana, recebeu o apoio de 12 países, a abstenção da China e os votos contrários de Rússia e Bolívia.

A Rússia, que impediu a adoção da iniciativa com o seu direito de veto, propôs hoje outras duas resoluções, a primeira para a criação de um mecanismo de investigação diferente, e a segunda para apoiar que especialistas da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) analisem o ocorrido em Duma.

Os Estados Unidos tinham exigido nesta segunda-feira uma resposta do Conselho de Segurança a esse incidente, pelo qual responsabiliza Damasco, e tinha advertido que, se a Rússia impedisse, estava disposto a atuar por conta própria.

O presidente americano, Donald Trump, prometeu responder "contundentemente" ao suposto ataque e disse que tomará uma decisão nas próximas horas sobre possíveis represálias, incluindo ações militares.

A Rússia, por sua parte, acusou hoje os EUA de quererem utilizar o veto da sua resolução como um "pretexto" para atacar o governo sírio.

"Para que necessitam do mecanismo quando já assinalaram o culpado?", se perguntou o embaixador russo na ONU, Vasyl Nebenzia, momentos antes da votação.

A expectativa é que a Rússia submeta ainda hoje à votação do Conselho os dois textos que propôs e que as potências ocidentais já disseram que não apoiam.

A resolução americana vetada pela Rússia buscava estabelecer um novo grupo de especialistas independentes capazes de apontar os responsáveis pelos ataques químicos registrados na Síria.

Um mecanismo desse tipo, conhecido com pela sigla inglesa de JIM, já existiu, até que em novembro passado a Rússia vetou sua continuidade.

Moscou tomou a decisão do veto depois que o JIM indicou o regime de Damasco como responsável de vários ataques químicos.

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