Confrontos na Répública Centro-Africana deixam 20 mortos

Bangui, 11 abr (EFE).- Pelo menos 20 pessoas, entre elas um capacete azul ruandês, morreram durante a noite desta terça-feira em confrontos entre milicianos e forças da ONU na capital da República Centro-Africana (RCA), Bangui, informou nesta quarta a missão das Nações Unidas neste país (MINUSCA) e organizações civis locais.

Em comunicado em seu site, as forças de paz internacional confirmam a morte de um capacete azul e falam de outros oito feridos, dos quais um permanece em estado crítico.

Por sua vez, o coletivo de muçulmanos do distrito PK5, onde ocorreram os enfrentamentos, afirma que 19 dos milicianos do bairro morreram na última etapa das operações de desarmamento forçoso das autodenominadas forças de defesa dessa região, que começaram no último domingo.

Este coletivo organizou um protesto hoje em frente à sede da MINUSCA, à qual levaram os corpos dos mortos para exibi-los.

O confronto de ontem à noite, no qual a MINUSCA contou com a colaboração do exército centro-africano para enfrentar "elementos fortemente armados", durou quatro horas.

Estas vítimas se somam às do último domingo, quando o balanço foi de três mortos, vários feridos e oito detidos.

A MINUSCA reivindicou o fim das tensões na região, que "já causaram a perda de um número significativo de vidas", e reiterou sua disposição a apoiar medidas que acabem com esta situação de forma pacífica.

O citado coletivo de muçulmanos emitiu um comunicado no qual afirma que "o PK5 está em guerra total", e prometeu publicar o número total de vítimas civis "muito em breve".

Além disso, acusou o Executivo de "patrocinar diretamente as ações atuais contra o PK5".

Apesar de Bangui ser uma cidade eminentemente cristã, o PK5 é povoado principalmente por muçulmanos e está sob controle e um grupo rebelde que se proclama como responsável pela "autodefesa da região" e do qual as forças da MINUSCA já confiscaram armas, munição e drogas.

A República Centro-Africana vive um complicado processo de transição desde 2013, quando os rebeldes Séléka derrubaram o presidente François Bozizé, suscitando uma onda de violência sectária entre muçulmanos e cristãos que causou milhares de mortos e obrigou cerca de um milhão de pessoas a deixarem suas casas.

A eleição de Faustin Archange Touadéra como novo presidente em fevereiro de 2016 deveria abrir uma nova etapa para o país, que no entanto ainda tem muitos problemas para controlar grupos rebeldes em zonas afastadas da capital.

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