Montenegro elege presidente em um momento-chave para adesão à União Europeia

Snezana Stanojevic.

Belgrado, 11 abr (EFE).- Montenegro realiza eleições presidenciais neste domingo em um momento-chave para a adesão do país na União Europeia (UE) depois de o bloco ter aberto a possibilidade de entrada daqui sete anos, em 2025.

O veterano político Milo Djukanovic, ex-primeiro-ministro, ex-presidente e atual líder do Partido Democrático dos Socialistas (DPS), que comanda o governo, é o claro favorito nas intenções de voto dos montenegrinos, segundo as últimas pesquisas.

Uma recente pesquisa da ONG Centro para a Democracia e os Direitos Humanos (Cedem) afirma que Djukanovic receberá 50,6% dos votos, vencendo já no primeiro turno. O principal adversário, o economista Mladen Bojanic, tem 35,5% das intenções.

Caso não consiga a vitória já neste domingo, Djukanovic, o homem que domina o cenário político em Montenegro há 27 anos, também venceria no segundo turno, com cerca de 55% dos votos.

Na breve campanha, de menos de um mês, o veterano político, que levou o país à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e abriu o caminho para adesão à UE, tem se apresentado como o responsável pela estabilidade e progresso de Montenegro.

Apesar de o cargo de presidente ser essencialmente protocolar, sem função executiva, o carismático Djukanovic, de 56 anos, economista de formação e considerado o pai da independência de Montenegro em 2006, garante que seus adversários reverteriam a aproximação do país com o Ocidente.

Montenegro é membro da Otan desde 2017 e, entre os países balcânicos que negociam a entrada na UE, é o que mais avançou, de acordo com um relatório do bloco apresentado em fevereiro. O documento confirma a perspectiva de adesão em 2025.

"Essa perspectiva é muito ambiciosa. Depende plenamente dos méritos e dos objetivos do país para ser plenamente cumprida", alertou recentemente o comissário europeu de Política de Vizinhança e Ampliação, Johannes Hahn.

A UE exige ainda de Montenegro melhorias na legislação, especialmente na luta contra a corrupção e o crime. Outro ponto questionado pelo bloco é a economia do pequeno país, que cresceu 3,6% em 2017, mas tem um salário médio de cerca de 500 euros, uma taxa de desemprego de 17% e uma dívida pública de 65,1% do PIB.

"É o momento em que cada eleitor deve se perguntar para quem está dando seu voto. Aos destruidores de Montenegro que não querem nunca que cheguemos à UE ou a nós?", questionou Djukanovic.

O veterano político citava uma suposta tentativa golpista pró-Rússia nas eleições parlamentares de outubro de 2016. A oposição vê o julgamento do pleito como um processo político.

Djukanovic é apoiado por partidos minoritários, como os liberais e os social-democratas do SDCG, aliados do DPS no governo.

Bojanic, que não é filiado a nenhum partido, é o candidato comum da coalizão conservadora e pró-Rússia Frente Democrática, a maior da oposição. Também fazem parte do grupo URA, de centro-esquerda, Montenegro Democrático, de centro-direita e o Partido Socialista Popular (SNP).

O principal rival do candidato governista acusa Djukanovic de nepotismo, corrupção e de promover perseguições políticas. Outra crítica sobre o adversário é econômica. Para Bojanic, o atual Executivo está devastando a economia de Montenegro.

"Há 27 anos Djukanovic engana o povo com contos de que tem algum plano de uma vida melhor para todos. Mas essa vida só chegou para ele, sua família e amigos", declarou o opositor, que se opunha à entrada de Montenegro na Otan e exige um referendo sobre o tema.

Há amplo consenso no país sobre a entrada na UE, mas não na Otan, o que provocou divisões internas.

O próximo presidente terá um mandato de cinco anos. O atual ocupante do cargo, Filip Vujonavic, fica no poder até maio.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

UOL Newsletter

Receba por e-mail as principais notícias sem pagar nada.

Quero Receber

UOL Cursos Online

Todos os cursos