Papa reconhece "graves equivocações de avaliação" sobre caso de bispo chileno

Cidade do Vaticano, 11 abr (EFE).- O papa Francisco reconheceu nesta quarta-feira suas "graves equivocações de avaliação" sobre o caso de suposto acobertamento de abusos sexuais pelo qual está acusado o bispo chileno Juan Barros e que fizeram-no sentir "dor e vergonha".

"No que me diz respeito, reconheço, e assim quero que o transmitam fielmente, que incorri em graves equivocações de avaliação e percepção da situação, especialmente por falta de informação veraz e equilibrada", afirma Francisco em carta aos bispos chilenos.

O papa, que em janeiro defendeu Juan Barros, enviou esta carta depois de receber o relatório do bispo maltês Charles J.Scicluna, enviado ao Chile para ouvir os testemunhos das supostas vítimas dos abusos.

"Agora, após uma leitura pausada das atas de tal 'missão especial', acredito poder afirmar que todos os testemunhos coletados nelas falam em modo descarnado, sem aditivos nem adoçantes, de muitas vidas crucificadas e lhes confesso que isso me causa dor e vergonha", ressalta o pontífice argentino.

Por isso, com o relatório que recolhe 64 testemunhos coletados tanto em Santiago do Chile como em Nova York, o papa pediu "a colaboração e assistência" do clero chileno "no discernimento das medidas que em curto, médio e longo prazo deverão ser adotadas para restabelecer a comunhão eclesial" no país.

Para isso antecipou sua intenção de convocar o clero chileno a Roma "para dialogar sobre as conclusões da mencionada visita" e sobre as suas próprias.

"Pensei em tal encontro como em um momento fraternal, sem preconceitos nem ideias preconcebidas, com o único objetivo de fazer resplandecer a verdade nas nossas vidas", destacou Francisco, que pediu que se busque uma data para este encontro.

Juan Barros Madrid, renomado bispo em março de 2015 pelo papa Francisco, foi acusado no Chile de acobertar os casos de abusos sexuais cometidos supostamente por Fernando Karadima quando este era pároco da igreja de El Bosque, na capital Santiago.

O pontífice expressou seu apoio a Barros durante sua visita ao Chile no último mês de janeiro e qualificou as acusações contra o bispo de "calúnias" pois, segundo indicou, não existe "uma só prova".

Durante a entrevista coletiva do voo de volta ao Vaticano, o papa, embora tenha insistido sobre a inocência de Barros, pediu desculpas às vítimas por estas declarações que suscitaram grande polêmica.

Na carta Francisco volta a pedir "perdão" a todos aqueles a quem ofendeu e expressou seu desejo de poder fazê-lo "pessoalmente" nas próximas semanas, em uma série de reuniões que terá com representantes das pessoas ouvidas por Scicluna.

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