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Tóquio pede que Seul mantenha pressão sobre Pyongyang até desnuclearização

11/04/2018 12h07

Seul, 11 abr (EFE).- O ministro das Relações Exteriores do Japão, Taro Kono, pediu nesta quarta-feira em Seul à sua homóloga sul-coreana, Kang Kyung-wha, que mantenha a pressão sobre a Coreia do Norte até que Pyongyang tome medidas concretas para a sua desnuclearização.

Este pedido de Tóquio se produz a 16 dias da cúpula intercoreana de 27 de abril.

Durante uma reunião na capital sul-coreana, Kono reiterou as exigências japonesas sobre a Coreia do Norte até que o país dê os passos necessários para eliminar suas armas nucleares, uma postura compartilhada por Kang, que especificou, no entanto, que o importante é "manter o ritmo atual do diálogo".

"Quero que Japão e Coreia do Sul se coordenem para conseguir a desnuclearização do Norte e trazer paz, estabilidade e prosperidade à Ásia", disse o ministro japonês após o encontro, em declarações coletadas pela agência "Kyodo".

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, disse durante uma reunião posterior com o chanceler japonês estar convencido de que a comunicação e cooperação estreita entre Coreia do Sul e Japão são "mais importantes do que nunca" em relação às próximas cúpulas entre Pyongyang, Seul e Washington.

Kono manifestou seu desejo de "aumentar a cooperação" e melhorar as relações entre os dois países, e transmitiu a Moon uma mensagem do primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, cujo conteúdo não foi revelado, segundo a agência de notícias sul-coreana "Yonhap".

Na primeira visita de um chanceler japonês a Seul em dois anos, o Japão pretendia enviar ao país vizinho alguns de seus interesses em relação à cúpula do próximo dia 27 de abril, a primeira entre líderes coreanos em 11 anos, em um momento histórico na península.

Além da desnuclearização, o Japão quer incluir na agenda da reunião o tema dos sequestros de cidadãos japoneses por parte da Coreia do Norte há mais de 40 anos, uma das reivindicações frequentes do país.

Entre 1977 e 1983, pelo menos 17 cidadãos japoneses foram sequestrados por Pyongyang para dar aulas de cultura e idioma em seu programa de treinamento de espiões, muitos dos quais ainda não retornaram ao Japão.

No entanto, o governo sul-coreano afirmou hoje que o tema dos direitos humanos não será tratado em sua cúpula com Pyongyang, um dia depois que 40 organizações internacionais enviaram ao presidente sul-coreano, Moon Jae-in, uma carta na qual pediam que os incluísse na agenda.

A visita de Kono a Seul faz parte os esforços do Japão de intervir ativamente no processo de desnuclearização da Coreia do Norte, muito sob o controle da Coreia do Sul e Estados Unidos.

As duas Coreias devem realizar uma ou duas reuniões de alto nível em relação à cúpula intercoreana que acontecerá no final de abril, segundo confirmou na segunda-feira o Ministério de Unificação sul-coreano.