Yulia Skripal rejeita oferta de apoio consular russo, diz Reino Unido

Londres, 11 abr (EFE).- A filha do ex-espião russo Sergei Skripal, Yulia, que se recupera do envenenamento sofrido por eles dois em 4 de março em Salisbury, no sul da Inglaterra, declarou às autoridades britânicas que não deseja falar com funcionários consulares russos, informou nesta quarta-feira o Departamento de Relações Exteriores do governo do Reino Unido.

Yulia Skripal, de 33 anos, recebeu alta médica na segunda-feira após ter sofrido, junto com seu pai, um ataque com a toxina química russa Novichok em Salisbury, um incidente do qual Londres culpa o Kremlin - que nega envolvimento - e que gerou uma grave crise política e diplomática entre ambos os países.

A embaixada da Rússia no Reino Unido tinha solicitado acesso à filha do antigo agente duplo, a quem o governo britânico proporcionou um alojamento "seguro" assim que deixou o centro médico.

A missão diplomática russa no Reino Unido reagiu com enfado à notícia, ao considerar que a "cidadã russa" Yulia Skripa tinha sido levada a esse alojamento "secreto" contra a sua vontade.

No meio dessa polêmica, um porta-voz do Departamento de Relações Exteriores britânico afirmou hoje que o governo "tinha transferido anteriormente a oferta de apoio consular da embaixada russa a Yulia".

"Ela é livre para decidir se deseja seguir por esse caminho. Até o momento, entendemos que ela não o fez", acrescentou a mesma fonte oficial.

A missão diplomática russa em Londres, por sua vez, também considerou, conforme se posicionou através de vários tweets, que "o realojamento secreto dos Skripal, que estão vetados de qualquer contato com sua família, será interpretado como um sequestro ou, pelo menos, como um isolamento forçado".

A Rússia, que criticou a gestão do Reino Unido da investigação sobre o ataque aos Skripal com o agente químico em diversas ocasiões, insistiu ao Executivo britânico que este deve apresentar "provas urgentes" que demonstrem que Yulia não está sendo coagida.

A recuperação da filha do ex-espião foi anunciada ontem pela diretora do Hospital de Salisbury, Christine Blanshard, que revelou que os dois pacientes "responderam excepcionalmente bem ao tratamento oferecido" e explicou que "ambos se encontram em fases diferentes do processo de recuperação".

Sobre Yulia, a diretora do centro médico disse que a alta do hospital não "representa o fim de seu tratamento, mas é um momento significativo".

Com relação a seu pai, Sergei, a médica disse que, apesar de ele se recuperar "de maneira mais lenta que Yulia", os profissionais de saúde acreditam que poderá deixar o hospital "em seu devido momento".

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