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Antigo chefe do Partido Comunista chinês é julgado por corrupção

12/04/2018 05h37

Pequim, 12 abr (EFE).- Os tribunais da cidade de Tianjin começaram nesta quinta-feira o julgamento do ex-ministro da Agricultura da China e antigo secretário-geral do Partido Comunista (PCCh) em Chongqing, Sun Zhengcai, que até cair em desgraça era considerado um dos maiores candidatos a suceder o presidente Xi Jinping.

Na audiência inicial, realizada no Tribunal Popular Intermediário de Tianjin, localizada a 200 quilômetros de Pequim, Sun foi acusado de aceitar de maneira direta ou através de terceiros, dinheiro e propriedades no valor de 170 milhões de iuanes (cerca de US$ 27,1 milhões) entre os anos de 2002 e 2017, informou o tribunal.

Sun Zhengcai, de 54 anos e membro até o ano passado do influente Comitê Central do PCCh, não se opôs a acusação, "admitiu sua culpa, mostrou arrependimento e afirmou que aceitará sinceramente a sentença dos tribunais", destacou um comunicado da Justiça.

De acordo com a acusação apresentada pela Promotoria no último dia 13 de fevereiro, Sun se aproveitou dos cargos já mencionados e de outros durante sua bem-sucedida carreira política na cidade de Pequim ou na província de Jilin para receber grandes somas de dinheiro e propriedades.

O órgão anticorrupção do Partido Comunista da China iniciou as investigações contra Sun em julho do ano passado e dois meses depois, foi expulso da legenda e destituído de todo cargo político, o que colocou seu caso nas mãos da Justiça.

De acordo com o comitê do PCCh em Chongqing, "a ambição política e desejos egoístas foram exacerbados", o que levou a esta antiga estrela emergente da política chinesa a "quebrar a disciplina do partido e se corromper".

O fato é que na cúpula da cidade de Chongqing - de importância estratégica pela sua proximidade com a Barragem das Três Gargantas - Sun havia sucedido outra antiga estrela em ascensão como foi o ex-ministro do Comércio, Bo Xilai, também julgado por corrupção.

Bo, secretário-geral de Chongqing entre 2007 e 2012, foi condenado em 2013 a prisão perpétua, no que é considerado o maior escândalo de corrupção da história recente da China, ao lado da condenação de sua esposa Gu Kailai, também a prisão perpétua, pelo assassinato de um empresário britânico.

Sun foi rapidamente substituído no ano passado ano na chefia de Chongqing por Chen Miner, antigo chefe de propaganda do presidente Xi, um dos seus homens de confiança e também candidato a assumir um dos postos de maior responsabilidade no futuro.

O julgamento de Sun faz parte da campanha anticorrupção iniciada por Xi desde sua chegada ao poder, em 2013, que resultou na punição de mais de 1,5 milhão de altos cargos do Partido Comunista, entre eles alguns dos mais poderosos líderes políticos e militares da década passada.