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Pouco avanço em dois casos de estupro suscita protestos na Índia

12/04/2018 11h57

Nova Délhi, 12 abr (EFE).- O pouco avanço nas investigações policiais sobre dois casos de estupro de menores suscitou nesta quinta-feira na Índia vários protestos nos quais os manifestantes criticaram a suposta conivência do partido BJP do primeiro-ministro, Narendra Modi, com os suspeitos.

"Estamos protestando contra as tentativas do povo no poder, o governamental BJP, de tentar proteger os acusados nos casos de estupro em Uttar Pradesh e Jammu", explicou à Agência Efe Kavita Krishnan, uma das organizadoras do protesto em Nova Délhi.

Mais de 100 pessoas, na maioria mulheres, acompanharam Krishnan, secretária da Associação de Mulheres Progressistas da Índia (AIPWA), no protesto no centro da capital com cartazes nos quais reivindicavam justiça para as duas jovens estupradas.

No caso ocorrido em janeiro no nortista estado de Jammu e Caxemira, uma menina foi torturada, estuprada e assassinada por supostos membros das forças de segurança indianas que lutam contra os grupos independentistas na região, onde governa em coalizão o BJP de Modi e o regional PDP, resumiu a ativista.

"Existe uma tentativa por parte de simpatizantes do BJP (...) de mobilizar apoio para que estes acusados de estupro sejam protegidos e não castigados ou levados a julgamento porque são hindus, nacionalistas, membros da contra insurgência", disse Krishnan.

A chefe de Governo de Jammu e Caxemira, Mehbooba Mufti, do PDP, garantiu hoje em mensagem no Twitter que "a lei não será obstruída".

"Estão sendo seguidos os procedimentos adequados, as investigações estão sendo realizadas pela via rápida. A justiça será feita", sentenciou Mufti.

O estupro no estado nortista de Uttar Pradesh ganhou as manchetes durante a última semana na Índia depois que foi revelado que um parlamentar regional pelo BJP tinha abusado supostamente de uma adolescente no ano passado e depois pressionado a família da jovem para que retirasse a denúncia.

Na segunda-feira passada, depois de receber supostamente uma surra de simpatizantes e parentes do parlamentar, o pai da jovem morreu por conta dos ferimentos.

O parlamentar, Kuldeep Singh Sengar, não foi detido.

Após ser acusado de não estar fazendo o suficiente para deter Sengar, o diretor-geral da Polícia de Uttar Pradesh, O.P. Singh, garantiu hoje em entrevista coletiva que não está "defendendo ninguém " e que o acusado ainda "não foi condenado".

"Foi apresentada uma denúncia contra ele e agora CBI deverá decidir", concluiu Singh.

Os estupros seguem ocorrendo na Índia apesar do endurecimento das leis contra as agressões sexuais depois que uma jovem universitária morreu após ser abusada por grupo em um ônibus em 2012 em Nova Délhi, um fato que comoveu a Índia.