Ataques atribuídos a pastores fulani deixam 66 mortos em 3 dias na Nigéria

Abuja, 13 abr (EFE).- Pelo menos 66 pessoas morreram nos últimos três dias nos estados nigerianos de Benue (centro) e Taraba (este) por ataques atribuídos aos pastores da etnia Fulani, que levam seu gado por todo o país e mantêm disputas com pastores locais, informou nesta sexta-feira a imprensa local.

Este é um novo capítulo do conflito dos Fulani, muçulmanos na maioria, que reagiram com violência aos planos de alguns estados nigerianos de proibir o pastoreio em campo aberto.

A este respeito, Benue aprovou em novembro de 2017 uma norma que ordena que os Fulani estabeleçam ranchos ou que se mudem a outras regiões, enquanto Taraba fez o mesmo em janeiro de 2018.

O presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, ordenou aos militares que restabelecessem a ordem nas regiões afetadas, mas os líderes locais asseguram que os ataques foram retomados assim que os soldados se retiraram.

O jornal local "Vanguard" assegura que são 41 os mortos em Benue e 25 em Taraba, e explica que os números podem aumentar já que ainda estão sendo encontrados corpos após as emboscadas supostamente dos Fulani, que ocorrem em áreas remotas, o que dificulta o fluxo de informação sobre os fatos.

De fato, a Agência Efe entrou em contato por telefone com o porta-voz da polícia em Benue, Moses Yamu, que só confirmou oito mortes recentes na região.

Os nômades muçulmanos buscam gramado para seu gado, destroçando os campos de cultivo dos agricultores cristãos locais, em brigas constantes na zona central da Nigéria, nas quais já morreram milhares de pessoas nos últimos anos.

A luta pela apropriação dos recursos naturais entre pastores nômades e agricultores locais é uma das principais causas da violência, com a qual competem pelo gramado e por água.

Os pastores se transformaram em uma ameaça local para a população de todo o país.

Em 2017, os conflitos entre os pastores nômades e os agricultores locais deixaram pelo menos 549 mortos e milhares de deslocados na zona, segundo Anistia Internacional (AI), que também informou sobre 168 mortes em janeiro.

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