Estreantes e crises marcam cenário político da Cúpula das Américas no Peru

Natalia Kidd.

Buenos Aires, 13 abr (EFE).- A VIII Cúpula das Américas será o palco do novo mapa político continental, recentemente alterado por uma série de eleições e de crises em vários países, com a estreia de 13 novos governantes na reunião de mais alto nível da região.

Dos 34 chefes de Estado convidados, o mais experiente é o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonçalves, que participa desde a terceira cúpula, no Canadá, em 2001.

Esta será a quarta participação para os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Uruguai, Tabaréz Vázquez, que ao lado do primeiro-ministro de Dominica, Roosevelt Skerrit, que vai à quinta Cúpula das Américas, acumulam uma experiência interessante para um fórum multilateral que, às vezes, é repleto de tensão.

A edição de Lima terá um cenário político muito diferente daquele de três anos atrás. Desde a última Cúpula das Américas em abril de 2015, no Panamá, a região assistiu a 20 eleições de chefes de Estado.

Em 11 desses pleitos houve mudanças significativas na estrutura de poder, como a ascensão de Mauricio Macri na Argentina após 12 anos de kirchnerismo ou como a do liberal Justin Trudeau no Canadá, pondo fim a mais de uma década de controle conservador no país.

A mudança mais significativa, porém, foi a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Em Lima, o polêmico empresário estrearia na Cúpula das Américas e faria sua primeira visita à América Latina como ocupante do cargo, mas desistiu em cima da hora.

"O presidente permanecerá nos EUA para supervisionar a resposta americana à Síria e monitorar os acontecimentos globais", explicou Sarah Sanders, porta-voz da Casa Branca, em comunicado divulgado nesta terça-feira.

O discurso do presidente americano era o mais esperado do evento, especialmente porque os países da região criticam seu duro tom em relação à imigração. Há também grande incerteza sobre os efeitos das políticas protecionistas promovidas pela Casa Branca.

O vice-presidente, Mike Pence, representará Trump na cúpula e coincidirá com Trudeau e o presidente do México, Enrique Peña Nieto, com quem os EUA debatem a complexa renegociação do Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), e com o presidente de Cuba, Raúl Castro, que pela segunda vez participará de uma Cúpula das Américas. Na última, um aperto de mãos com Barack Obama entrou para a história do evento.

A cúpula de Lima terá um cenário político menos adverso ao governo americano do que a edição anterior, na Cidade do Panamá, com a ausência de líderes de centro-esquerda como Cristina Kirchner e Rafael Correa, ex-presidentes de Argentina e Equador.

A saída de Correa deixou o "eixo bolivariano" fragilizado. Agora, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, só tem aliados incondicionais em Cuba, Bolívia e Nicarágua. A fragilidade pode dar aos EUA chances maiores de discutir sanções contra Caracas e receber apoio de Brasil, Argentina e Colômbia.

Outro que pode respaldar ações mais firmes contra a Venezuela é o novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, que já comandou o país entre 2010 e 2014, tendo experiência na Cúpula das Américas.

A crise na Venezuela, motivo que fez com que Maduro fosse excluído da lista de convidados da cúpula, não foi a única turbulência que sacudiu a região desde a edição do Panamá em 2015.

No mesmo ano, explodiu na Guatemala um escândalo de corrupção que terminou com a renúncia do presidente Otto Pérez Molina. Alejandro Maldonado Aguirre assumiu o poder até as eleições de 2016, vencida pelo comediante Jimmy Morales.

Já Honduras ainda vive os reflexos de uma crise iniciada em novembro do ano passado por causa de supostas fraudes nas eleições que deram a reeleição ao presidente Juan Orlando Hernández.

De impacto muito maior foi a crise política do Brasil, primeiro com os escândalos revelados pela operação Lava Jato e depois com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Os casos de corrupção atingiram praticamente todos os países da região e também chegaram ao presidente Michel Temer, já denunciado em duas oportunidades.

Além disso, não para de crescer a tensão política no país por causa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso no último sábado e líder das pesquisas eleitorais de outubro.

Um dos países mais afetados pela Lava Jato foi o próprio anfitrião da Cúpula das Américas. Pedro Pablo Kuczynski renunciou à presidência do Peru após as revelações de ligações nebulosas com a Odebrecht. O fato curioso é que Kuczynski escolheu a corrupção e seus efeitos como o tema principal do encontro em Lima.

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