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Treze milhões de pessoas precisam de ajuda urgente na RDC, alerta ONU

13/04/2018 09h23

Genebra, 13 abr (EFE).- A ONU afirmou nesta sexta-feira que as necessidades humanitárias na República Democrática do Congo (RDC) aumentaram de tal forma durante o último ano que atualmente o dobro de cidadãos, cerca de 13 milhões, precisam de ajuda urgente.

O chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, afirmou na conferência de doadores para a RDC que "as necessidades estão aumentando", apesar de alguns avanços registrados quanto a infraestruturas, acesso à educação, taxas de mortalidade infantil e imunização.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou através de um vídeo que o principal problema para a resposta humanitária "é a falta de financiamento".

A ONU, através do seu plano de resposta humanitária lançada em janeiro para 2018, requer quase US$ 1,7 bilhão para ajudar 10,5 milhões de congoleses dentro da RDC.

A ONU e seus parceiros também precisam de US$ 504 milhões para atender a cerca de 807 mil refugiados em países vizinhos da RDC e para apoiar os mais de 540 mil refugiados de outros países que se encontram nessa nação africana.

No total, são necessários US$ 2,2 bilhões em 2018, explicou Lowcock, que insistiu em que isso representa "menos de 50 centavos por dia para cada uma das pessoas cujas vidas tentamos salvar", segundo explicou Guterres.

O porta-voz do Escritório de Coordenação Humanitária da ONU (OCHA), Jens Laerke, explicou hoje que o órgão não fixou nenhum objetivo financeiro concreto para a conferência de hoje.

O Governo da RDC não quis comparecer à conferência ao considerar que esta oferece uma imagem "injusta" do país e que deve ser o Estado que deve tomar a iniciativa da gestão humanitária.

Lowcock afirmou a respeito que o Governo de Joseph Kabila "está assumindo as rédeas nesta crise" e que a ONU o apoia.

Ele destacou que no dia 18 de janeiro a ONU e Kabila lançaram conjuntamente o plano humanitário em Kinshasa e que o governador de Tanganika assinou recentemente um acordo para facilitar o acesso da ajuda humanitária e a coordenação.

Também destacou que o Governo comprometeu US$ 100 milhões para os próximos 18 ou 24 meses para a reintegração de refugiados, de retornados e deslocados internos.

"Vamos continuar trabalhando juntos. Estamos falando com eles sobre um evento de acompanhamento a esta conferência, que acontecerá no local e data que estimar o Governo", acrescentou Lowcock, resumindo não obstante a "deterioração" da situação no país.

Ele disse que a violência étnica "piorou no leste" do país e que a metade da RDC, que antes não sofria o conflito armado, experimentou altos níveis de violência durante 2017.

"Além disso, uma transição política está criando tensões e o RDC foi vítima de um choque externo devido à vertiginosa queda do preço de matérias-primas", continuou.

Neste contexto, disse Lowcock, o número de pessoas que precisam de assistência humanitária na RDC em 2018 duplicou desde o ano passado para 13 milhões".

A RDC também sofre epidemias, ao experimentar o "pior surto de cólera em 16 anos, além da violência sexual", finalizou o chefe humanitário.