Trump dá perdão presidencial a chefe de gabinete do governo Bush

Washington (Estados Unidos)

  • Jim Bourg/Reuters

    6.mar.2007 - Lewis "Scooter" Libby era ex-chefe de gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, durante o governo Bush

    6.mar.2007 - Lewis "Scooter" Libby era ex-chefe de gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, durante o governo Bush

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (13) o indulto ao ex-chefe de gabinete do ex-vice-presidente Dick Cheney, Lewis "Scooter" Libby, condenado por perjúrio no caso do vazamento à imprensa do nome de uma agente da CIA.

"Não conheço o senhor Libby, mas durante anos ouvi que tinha sido tratado injustamente. Este indulto completo ajudará a retificar uma parte muito triste da sua vida", disse Trump em comunicado sobre o perdão ao funcionário do governo de George W. Bush.

Em 2007, Libby foi declarado culpado de perjúrio e obstrução à Justiça na investigação do "caso Plame", de 2003.

O júri que analisou o caso determinou então que o ex-chefe de gabinete mentiu aos investigadores sobre suas conversas com jornalistas sobre Valerie  Plame, uma agente da Agência Central de Inteligência (CIA).

Mario Tama/Getty Images/AFP
A ex-agente secreta da CIA, Valerie Plame autografa cópia do seu livro "Fair Game", em Nova York (EUA)

O nome de Valerie Plame apareceu divulgado na imprensa depois que seu marido, o ex-diplomata Joseph Wilson, publicou um artigo do jornal The New York Times afirmando que Bush estava distorcendo informações para justificar a invasão do Iraque. Em 2002, o diplomata foi enviado à Nigéria para investigar relatos de que o Iraque estava tentando comprar urânio para usar em um programa secreto de armas nucleares. 

De acordo com a investigação, membros do governo divulgaram o nome da agente para descreditar as alegações de seu marido. A sugestão foi que nepotismo teria sido o motivo do envio de Wilson à Nigéria e que sua viagem --assim como suas conclusões -- não deveria ser levada a sério.

Libby foi condenado a 30 meses de prisão, mas Bush comutou a pena por considerá-la "excessiva", embora tenha mantido a multa de US$ 250.000 e os dois anos de liberdade condicional, além de não ter lhe concedido o perdão presidencial.

No documento de hoje, a Casa Branca lembrou que o ex-chefe de gabinete de Cheney pagou os US$ 250.000 e cumpriu 400 horas de serviços comunitários, além dos dois anos de liberdade condicional.

A presidência argumentou que em 2015 uma das "testemunhas-chave" contra Libby negou seu depoimento, alegando que foi privada de informação que teria alterado o relato substancialmente.

Durante seus oito anos na Casa Branca, Bush concedeu 189 indultos, mas não considerou que Libby fosse merecedor deste, uma rejeição que foi criticada por Cheney, que disse em 2009 que pensava "firmemente" que merecia o perdão presidencial.

"Obviamente não estou de acordo com a decisão do presidente Bush", disse então.

Trump, por sua vez, exerceu seu poder para indultar em 2017, quando anistiou Joe Arpaio, o controverso xerife do Arizona que foi condenado por práticas racistas contra motoristas hispânicos e que posteriormente decidiu concorrer ao Senado para "apoiar" a agenda do presidente.

Segundo lembraram hoje os meios de comunicação, nesse primeiro indulto presidencial, o presidente evitou a prática dos seus antecessores na presidência de consultar advogados e o próprio Departamento de Justiça antes de concedê-lo.

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