Um passo para a frente e dois para trás

Alejandro Varela.

Bogotá, 13 abr (EFE).- A VIII Cúpula das Américas será realizada em Lima, no Peru, ao ritmo de um passo para a frente e dois para trás que marcou a evolução da integração econômica e política continental desde a institucionalização deste fórum presidencial em 1994.

A criação de uma Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), proposta surgida em 1994 em Miami, durante a primeira edição dessa cúpula trienal, está mais longe do que nunca de se tornar realidade.

Naquele mesmo ano entrou em vigor o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta), entre Estados Unidos, Canadá e México, que era o modelo de expansão regional para a Alca e que hoje está em processo de desmantelamento, pelo menos nas já declaradas intenções do presidente americano, Donald Trump.

Lima receberá a primeira edição da Cúpula das Américas em que México e Canadá, de um lado, e os Estados Unidos, do outro, se apresentarão em nítida discórdia, embora a ausência de Trump, anunciada de última hora, possa acalmar um pouco os ânimos em relação ao tema durante o evento - o vice presidente, Mike Pence, vai liderar a delegação americana.

Outros projetos de integração regional, como o Pacto Andino - rebatizado como Comunidade Andina -, o Sistema de Integração Centro-Americana e o Mercosul, sobrevivem com vaivéns enquanto os presidentes de todos os países do continente se reúnem a cada três anos na chamada Cúpula das Américas com ambições maiores, mas também truncadas.

No âmbito político, Cuba, a grande ausente das cúpulas até ter sido aceita na última, realizada no Panamá, em 2015, também foi uma protagonista constante.

Talvez por isso, em seu primeiro discurso diante da Cúpula das Américas, o presidente cubano, Raul Castro, começou com a seguinte frase: "Já era a hora de eu falar aqui em nome de Cuba".

Aquela cúpula do Panamá teve um caráter histórico por causa da presença de Cuba e por ter se tornado o palco onde se forjou o reatamento das relações diplomáticas entre Havana e Washington.

O encontro no Panamá, que contou com um aperto de mãos entre Raúl Castro e o então presidente dos EUA, Barack Obama, acabou sendo uma sombria incógnita para a reunião em Lima devido às intenções de Trump de voltar a esfriar as relações entre ambos os países.

A cúpula do Panamá com a aproximação entre EUA e Cuba também acarretou uma tanto promissora como frustrada flexibilização do regime na Venezuela. O atual presidente dos EUA não fez nada além de colocar mais lenha na fogueira com sua radical postura em relação ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

Tudo indica que, no encontro de Lima, a Venezuela sucederá Cuba na condição histórica de país ausente, mas protagonista de todos os debates.

A situação na Venezuela é o maior exemplo da impotência continental para tomar e executar decisões conjuntas. E a figura de Trump parece ter alimentado essa impotência, diante da dificuldade no continente de manter boas relações com o poderoso vizinho do norte e a impossibilidade de aceitar as suas posições.

O México é o país mais afetado, por precisar se entender com um vizinho que quer reforçar um muro na fronteira e cobrar o governo mexicano pelas obras, além querer romper com o Nafta.

Junto com o México, os países do chamado Triângulo Norte Centro-Americano (Guatemala, El Salvador e Honduras), e a Nicarágua foram afetados pelas novas e agressivas políticas dos EUA contra a imigração.

Se nas edições anteriores da Cúpula das Américas foram os países e blocos latino-americanos que protagonizaram passos tanto para a frente como para trás, desta vez os Estados Unidos chegam à reunião de Lima como principais responsáveis pelo acentuado ritmo de retrocesso na integração continental.

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